Subscribe:

domingo, 2 de outubro de 2011

FUTEBOL DE PELADA DE CAMPINA GRANDE - PARTE 2


  POR: JÓBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES




Durante uma época era comum ver os diversos times da cidade se defrontarem em algum campo do município, onde as ruas, casas, prédios e edifícios nem estavam sendo planejados. Aos domingos, os campos espalhados pela cidade recebiam jogadores de todas as partes e ficavam lotados. A expectativa por ver os craques em ação era grande, bem como as rivalidades existente entre os times. Tempos que não voltam mais. Quem não viu perdeu um Central x Oriente, Estudantes x Sao Jose, Everton x Botafogo da Liberdade, Real Campina x Atletico da Prata, Humaita x Leão do Monte Santo e tantos jogos memoráveis que eram disputados e vividos a cada semana em todos bairros. Eram os tempos do Olaria do Catolé, Comércio da Liberdade, Cenourinha, Flay Blac, Sapateiros, Cruzeiro entre outros. Eram tantos e tantos que seria impossível, à memória do já veterano pesquisador, lembrar-se de todos.

As Sedes Sociais


Os clubes de futebol de pelada, em sua grande maioria, eram muito pobres. Sobreviviam da paixão de seus colaboradores que contribuíam com o pouco que podiam - o que, geralmente, fazia falta no orçamento doméstico. A sede, quando não era o bar da esquina, era uma pequena casa, onde os quartos foram transformados deposito (onde eram guardados os fardamentos, a rede, a bola , a bomba e o bico). Na sala dos troféus, onde a diretoria exibia com orgulho as marcas de suas conquistas e era também realizadas as reuniões.Quase todas as sedes possuíam um lugar de segurança, o único local trancado a chave: a secretaria. É lá na secretaria que ficava, a mesa e a cadeira do presidente e de sua diretoria. Sim, do presidente, pois todo clube tem um. Normalmente o presidente era um dos fundadores do clube, ou um torcedor daqueles fanáticos e abnegado, pois, em todos os casos que conheci, estes presidentes não ganhavam nada; ao contrário, cobriam o buraco do orçamento no final do mês e acabavam indo a falência pessoal por amor ao clube. Normalmente, os clubes possuíam um tesoureiro para controlar as finanças, cujo balancete era muito simples: de um lado, a entrada do dinheiro que era obtido por meio do recebimento das mensalidades dos jogadores, lucro no bar e, eventualmente, de um bingo ou rifa que eram feitos para completar o que faltava para pagar as despesas. As despesas, basicamente, eram o aluguel da sede, lavagem do fardamento, compra de material esportivo ou compra de uma bola . Um ou outro jogador mais abonado ou simpatizante contribui com um pouco a mais.

Nesta época nenhum jogador recebia nada, jogava por amor e tinha de pagar sua mensalidade para jogar e chegar cedo ao campo senão ia para o banco. Muitas vezes deixava família aos domingos, alugava um ônibus para jogar em cidades da região. Muitas equipes faziam desse hábito, um saudável lazer para promover integração e reforçar os laços de amizade com agremiações de municípios vizinhos.  

A Rivalidade dos Times

Havia uma grande rivalidade entre os times, cada jogo era uma batalha, onde os atletas provavam o amor pela camisa do time que atuavam. Cada bairro ou comunidade tinha times. A maioria das partidas era aberta a todos. Qualquer um poderia sentar ao redor do campo e acompanhar a partida. Com isso, as torcidas dos times mais populares aproveitavam para instigar o rival e provocar confusões. O time que tinha muita torcida não admitia perder o jogo e, por isso, partia para briga. Não tinha polícia para segurar todos os presentes, eu também presenciei muita briga e participei de poucas. Quando o jogo era bom, com equipes equilibradas e a fim de só ganharem o jogo, não tinha briga. Na segunda-feira todos se encontravam para trabalhar ou estudar, porque a maioria trabalhava em diversos locais da cidade.

Celeiro de craques

Em qualquer cidade brasileira os jogadores de futebol surgiam nos campinhos "de peladas". E em Campina Grande não foi diferente. Desde que o futebol chegou a nossa cidade, as ruas, praças e terrenos baldios serviram como locais para que ali fossem instalados campos de futebol, criados pela meninada. Os grandes "rachas" aconteciam a qualquer hora. Mesmo sob o sol causticante ou chuva torrencial a garotada não deixava de lado a prática do futebol. Dos campos de "futebol de poeira", como a garotada campinense costumava a falar, surgiram muitos jogadores de boa qualidade técnica. Esse pessoal, passou a defender os principais clubes de nossa cidade, do estado, do Brasil e do Mundo.

Conheci e conheço grandes jogadores de futebol. Alguns foram e são grandes amigos. Tive o prazer, como “peladeiro”, de jogar com alguns. Com todos eles aprendi um pouco ou muito, principalmente depois dos jogos, quando a gente ia tomar uma cervejinha e vibrar com a vitória ou lamentar a derrota. Ouvi histórias maravilhosas. Algumas alegres, outras muito tristes.

Existiam todos os tipos de jogadores/peladeiros

Tinha de tudo quanto era tipo. Estudantes, feirantes, mecânicos, pintores, engraxates, ambulantes e tantas outras profissões menos abastadas. Tinha aquele que só queria ganhar. Havia também os que reclamavam o tempo todo. Tinha os calados que nem pra gritar Ladrão e FDP serviam. Tinham aqueles “limpinhos” que não queriam se sujar e nem dar cabeçada, que era pra não despentear o cabelo. E tinha aqueles que só queriam ser “o tal”, aparecer, tocar a bola de lada, driblar e rebolar... Existiam outros que infernizaram muitas defesas e deram muitas dor de cabeça aos zagueiros que para pararem usavam de trancos e solavancos, e muitas vezes nem assim era parado pois era muito liso, e um grande finalizador.


Existiam também os jogadores tão ruins e desastrados que, em vez da bola, chutavam os restos de capim como se fossem roçadeiras roçando o chão. Tinha também jogadores que não tinha grandes habilidades técnicas. Jogavam o feijão com arroz muito bem temperado. Jogavam para o time. Tinham uma boa disposição e garra fora do padrão normal. Atuavam em várias “posições”, algumas vezes até no gol.

Tinha também alguns zagueiros de poucos recursos técnicos, sempre se destacaram pelo físico avantajado, pela força e rispidez com que decidia as jogadas, fazia o estilo de defensor que nunca perdia a viagem, os jogadores pipoqueiros tinha pavor de jogar contra eles. No geral eram sempre reconhecidos como uns jogadores lutadores, não desistiam nunca, voluntariosos, em algumas vezes arrepiavam até demais, como era praxe. Têm alguns que já não está mais entre nós, partiu para uma melhor, mas com toda certeza deixou para quem os conheceram lições importantes.

ATRATIVOS DO FUTEBOL DE PELADA

Outros atrativos destes jogos era a possibilidade de, na mesma partida, você encontrar jogadores amadores, atletas profissionais em folga, ex-jogadores consagrados que matavam a saudade na pelada e atletas que tiveram passagens por times profissionais e estiveram perto do estrelato, mas não conseguiram, por um motivo, explodir na carreira. Alguns desses "quase ídolos" completavam seu orçamento, com cachês que recebem de alguns times que precisam de reforços para disputar alguns campeonatos ou torneios. Durante quase 15 anos em meus finais de semana vivi a realidade do futebol de pelada como zagueiro ou como atacante. Foram jogos em todos os tipos de campos, campeonatos, torneios e amistosos. Conheci quase todos os cantos da cidade graças aos campos de pelada.

A qualidade dos campos pouco interessava. Fossem cobertos de grama ou de terra batida; de contornos indefinidos; lisos como uma mesa de bilhar ou cheios de buracos; tivessem traves ou marcados com qualquer peça que identificassem suas medidas. Sempre havia algumas rusgas na marcação de um pênalti ou gol por parte de um árbitro improvisado. Era a escola para a definição do futuro dos garotos candidatos a subir degraus de uma escada maior no futebol. Esse era um tempo que Campina Grande tinha espalhados por todos os cantos campos de futebol de pelada, quando surgiram clubes que disputavam competições de puro entretenimento.,Mas já era um tempo em que a promessa do aparecimento de um craque tinha configuração na realidade. É bem verdade que muitos desses clubes desapareceram na aceleração de circunstâncias econômicas inevitáveis como será citado mais adiante desta matéria.


Os Treinadores e Dirigentes

Apesar do aparente amadorismo, alguns técnicos e dirigentes de futebol de pelada se preocupavam até com a alimentação dos jogadores. No futebol de pelada de Campina Grande existiram muitos treinadores, mas um em especial, o “Fuba Vei”, merece ter sua história contada, mesmo porque boa parte dela eu posso atestar, pois foi meu treinador por quase 15 anos. Não era só “treinador” não. Era também chamador do bingo na sede do clube, roupeiro e amigos dos jogadores. Dava as notas pela atuação dos jogadores após os jogos, dava conselhos, recomendava, emprestava dinheiro e bebia junto aos seus alguns de seus atletas e escalava o bebum e esperava que ele tropeçasse na bola três vezes para sacá-lo do time. E o jogador, envergonhado, ficava um tempo sem repetir a irresponsabilidade. Os antigos dirigentes de futebol amador abriam mão de tudo, até do convívio familiar para se dedicar ao seu time do coração.

Tinha outros técnicos que cobrava disciplina de cada um, dentro e principalmente fora do campo. Outra coisa comum no futebol de pelada era as farras antes, durante e depois das partidas. Noitadas nas Boates, Clubes sociais ou nos bregas,  tudo era eram normalíssimos. O máximo que o técnico fazia era o teste do olhômetro para barrar os boêmios. Como a torcida ficava sem entender algumas ausências. Se soubesse que algum daqueles seus pupilos tinha saído dos eixos durante a semana, no domingo a bronca era inevitável. Nem escalava o cidadão para o jogo. Ele era um grande anjo da guarda de todo mundo. Com sua “sabedoria” e a sua maneira, era sempre muito ouvido e respeitado.

As Viagens

O melhor do futebol de pelada eram as viagens. Normalmente viajávamos em ônibus ou naqueles caminhões (quando fazíamos longas viagens de ônibus, a gente se preparava e colocava na bagagem uma vasilha com farofa de frango ou peixe frito para bebeborarmos depois dos jogos. Tudo isso, porque naqueles tempos não havia ponto de apoio das empresas que transportavam passageiros para parar e fazer uma boa refeição e também por questão de economia, pois rango nos poucos restaurantes nos postos de gasolina eram os “olhos da cara” de caríssimo). Quando chegávamos ao destino, nossos cabelos estavam esturricados devido à nuvem de poeira que atravessávamos no caminho. Naquele tempo, jogador de futebol de pelada não atuava com gel nem cabeça raspada (só se passasse no vestibular). Na maioria das cidades que visitávamos o campo não era marcado, o que dava uma visibilidade terrível. Teve uma cidade hospitaleira (Serra Branca) que nos recebeu com uma bela recepção e uma “Buchada”. Levemente salgada, por sinal. De tanto beber água e algumas doses de cachaça, ninguém conseguia correr na hora do jogo. Mas não foi apenas a buchada, o juiz, que era do lugar e o dono do time, marcava tudo conforme sua conveniência. E uma falta na meia-lua ele dava pênalti. E não adiantava ninguém reclamar senão era expulso. Seu time quase nunca perdia.

Quantos times foram extintos? E quantos campos de futebol?

Não se sabe ao certo. Sabemos que o fim dos times e os campos tradicionais de Campina Grande tiveram um efeito nefasto sobre o futebol profissional da cidade. Pois eram estes times fazedores de craques que abasteciam os clubes com jogadores criados nestes times. Os campos periféricos do centro da cidade são apenas um exemplo. O progresso engoliu suas traves, sua história. Como foram engolidas dezenas, talvez centenas de campos, num raio estimado em até 10 quilômetros do centro da cidade, a Praça da Bandeira. Tudo foi devastado, substituído por prédios, condomínios, avenidas, e shoppings.

Hoje em dia o futebol de pelada nos finais de semana já não domina o lazer da rapaziada na cidade, além das baladas, dos shoppings, da internet com suas diversões e anúncios. A pelada nos domingos a tarde já é coisa antiga. É preciso entender que tudo mudou, mas que não está longe, não muito longe de acabar. Os clubes não são mais os mesmos, as disputas não são mais intensas, o número de campos é bem menor, os espaços livres nos bairros rareiam e as peladas já não é tão atraente como no passado.

Muitos clubes tradicionais fundados em Campina Grande que disputaram vários torneios e amistosos nos subúrbios da cidade resistiram o quanto puderam. Na longa caminhada, a maioria foi ficando para trás, abandonando as disputas e fechando suas portas. Muitos clubes que participaram vários anos e que chegaram a impressionar pelas belas campanhas que conseguiram realizar. Agremiações de prestigio na cidade que até chegaram ao título de campeão em vários torneios, ou mesmo, a de um vice-campeonato.


A história registra muitos casos de muitos clubes extintos. Uns decidiram se dedicar ás atividades sociais. A maioria se viu obrigado a fechar as portas porque estava economicamente falido. Quando um clube fecha suas portas, morre um pouco da historia do seu bairro ou comunidade. As crises internas, as divergências entre seus dirigentes e jogadores, os problemas financeiros, foram fatores que levaram esses clubes e muitos outros acabarem seus times de futebol.

No final dos anos 60 , surgiu o Grêmio do São José. Durante alguns anos, o Grêmio da São Joaquim (comunidade que existiam no bairro do São José) foi à sensação dos Domingos no “Bacião” (o campo era no antigo Baldo do Açude Novo). Se não chegou ao titulo de algum Torneio Suburbano foi porque faltou alguma estrutura. O time de futebol era excelente. Valia à pena ir ao estádio para assistir o Grêmio jogar, com seu capitão “Nego Roberto” e suas vestimentas psicodélicas. Ainda hoje – não me lamento em dizê-lo – quando passo pelo antigo Baldo do Açude Novo e vejo a magnífica Praça Evaldo Cruz, confrange-me o coração pois, naquele lugar, houve um campo de futebol de pelada que se transformou, no humilde mas heróico “Campo do Bacião, a “panela de pressão”,do time da comunidade da São Joaquim do bairro do São José.


Todos tiveram seus craques, suas vitórias. Estes clubes tiveram excelentes passagens por nossos gramados. Alguns chegaram a deixar saudade pelo que foi apresentado dentro do campo. Clubes que apenas disputaram vários torneios e alguns campeonatos e depois desapareceram. É sempre dramático o fim de um clube, entretanto, a grande maioria destes times, simplesmente passou. Apenas disputaram alguns anos. Estes clubes resistiram enquanto puderam, no entanto, acabaram fechando suas portas. Todos ficaram apenas na saudade.

As Grandes Equipes de Pelada da Cidade

 Mesmo cometendo a injustiça de não citar tantos e tantos, é preciso confirmar serem inesquecíveis as equipes que até hoje são citadas, poucas continuam firmes através dos tempos, entre eles estão clubes como: Cruzeiro, Estudantes, Têxtil, Santa Adélia, Benfica da Liberdade, Belenense, Renascença, Dom Vital, Cenourinha, 11 da Vila, Guarani do Auto Branco,Comercio da Liberdade, Central, Cruzeiro da Estação, Sapateiros, Náutico, CAC, Bangu, Fluminense, Dolaporte, Cacareco, Juventus, Portuguesa, Everton, Grêmio, Embirense e o Cotonifício Campinense do São José, Internacional, Real Campina e Atlético da Prata, Noroeste, Flamengo, Humaitá, Leão, Leonel, Embirense, Santos da Estação. Botafogo, Auto Esporte, Linense, Londrina, Oriente todos da Liberdade. Real Madir do 40, Esporte Clube Peixeiros, Flay Black, São Cristóvão, Palmeiras, Arco-Íris, Atlético e Tamborzão todos do Tambor, Paraná, São Luiz, Planalto, Líbano. Milionário, Vera Cruz, Santa Cruz da Vila Castelo Branco, entre poucos outros.

Hoje, infelizmente, já não vemos mais tantos campinhos espalhados por ai. A verocidade das empresas imobiliárias e o aumento considerável do número de veículos impedem que as canchas de futebol se espalhem pela cidade, como acontecia antigamente.

Da época romântica ficou a história. Infelizmente as falências e extinção de clubes tradicionais não puderam ser evitadas, nem mesmo aqueles que ostentavam em suas sedes taças e troféus. E em quase todos os bairros tinha grandes times, onde a matéria prima era uma Fábrica de Talentos, a produção de peças de reposição para o mercado do futebol passou a ser fundamental para manter aquecida a paixão que os clubes despertavam em Campina Grande. Do futebol amador de Campina Grande surgiram grandes jogadores para o futebol profissional entre eles citamos: Nego Bé (jogou no grande Santos com Pelé), Grilo, Urai, Cará, Salomão, Tonho Zeca, Betucha, Dedê, Zé Preto, Rinaldo, Marquinho Góes, Jório, Nilson Camilo, Valdecir, Ribeirinho, Gilvan (hoje Pastor), Sandoval, Cicita, Ivo, Paulinho, Chiquinho Alegria, Assis Paraíba, Ivan, Lopes, Bidoreco, Ricardinho, Lopes, Luizinho Bola Cheia, Pibo, Simplício e Keka Clemente, Agra, Valnir, Pedrinho Cangula, João Batista, Dão, Edvaldo Morais, Deca, Eliomar, Son, Fernando Canguru, Gil Silva, Zé Pequeno, Fio entre outros do passado e mais recentes: Marcelinho Cangula, Flavio Bilica, Hulk e Denilson com passagens pela seleção brasileira. Para ser justo, precisaria falar ainda de mu
itos outros jogadores não citados.


sábado, 1 de outubro de 2011

Memória Esportiva: Futebol Pelada de Campina Grande - Um Tempo Que Deixou Saudade! - PARTE 1

Por: Jóbedis Magno de Brito Neves

Há algum tempo, em modesta crônica que escrevi no portal RHCG (Retalhos Históricos de Campina Grande) sobre o futebol de salão de nossa cidade, relatei os bons momentos vividos por todos aqueles que, como eu, que tive o privilégio de dele participar. Para quem não conheciam, principalmente para a juventude de hoje, que muito provavelmente nada sabiam acerca dos bons tempos daqueles extraordinários jogadores. Fiquei surpreso com a receptividade da matéria. Imediatamente comecei a receber e-mails, MSN, comentários no site Retalhos,  telefonemas de antigos companheiros e de outras figuras do futebol amador de Campina Grande, todos saudosos do amadorismo sadio que existia na nossa cidade.


Para recordar esses bons tempos vividos e jamais esquecidos, por vezes mantendo contato com amigos e antigos jogadores da época, além de recorrer a um vasto arsenal de fotografias cuidadosamente guardadas na minha casa. Nem à distância e a poeira do tempo, jamais apagarão de nossas memórias, os amigos fraternos, os lugares por onde passamos e as gratas lembranças do nosso passado como peladeiro. Existiam inúmeras peculiaridades proporcionadas pelo futebol de pelada de antigamente, sendo a sua principal,  o convívio do encontro de amigos à beira, quase sempre, de uma arvore, uma palhoça ou tenda montada às margens do campo  para a venda de bebidas. Papos do mais diversificados do cotidiano que para muitos foi pesado, o que aliviava  e descarregava toda a sobrecarga da semana.  

No final do ano que passou, houve um  encontro dos ex-jogadores de nossa cidade. Foi uma iniciativa muito legal, a festa conseguiu resgatar grandes figuras do amadorismo campinense que, mesmo alguns estando fora de Campina Grande não deixaram de  participar do encontro. Achei uma coisa sensacional, e quando Marcilio Soares (o organizador do encontro) disse pra mim que esses encontros precisam ser divulgados ou escritos por alguém, não tive a menor dúvida em escrever, porque realmente trata-se de uma coisa muito nostálgica, cujos atores da bola, ainda conseguem emocionar as pessoas que participaram. O Antigo Restaurante o “Boião”, ficou pequeno para tantas figuras. O encontro foi tão importante que saiu reportagem na "Revista do Turismo" sobre o Encontro dos Amigos, que circula nos Hotéis - Restaurantes - Pousadas - Escolas e Universidades de todo Nordeste. 

Por isso,  atendendo aos inúmeros pedidos de antigos peladeiros e  apegado ao saudosismo, retorno agora para contar um pouco de minha participação  como futebolista das  peladas da nossa cidade, vivida ao lado de antigos jogadores daqueles bons momentos aqui nesta querida Campina Grande, cuja história e passado são ricas como poucas cidades em nossa região e, por isso, precisava ser resgatada para a atualidade por todos aqueles que, como eu, ainda possa contar um pouquinho daquilo que foi o futebol de pelada de Campina Grande naqueles fabulosos idos tempos.

Nestas reminiscências pretendo falar um pouco sobre algumas equipes. No time principal ou primeiro quadro como era  chamado jogam os melhores boleiros e os que tinham algumas qualidades (algum dinheiro), já no aspira jogava os jogadores regulares, alguns  cabeças de bagres e  eventualmente algum novato que estava  passando pelo segundo quadro a espera de conquistar uma posição no time principal.

Jogar no aspira era uma paixão à parte e muitos jogadores, embora bons de bola, preferiam  ficar no segundo quadro  e não serem promovidos ao primeiro quadro, pois o jogo do começava  cedo aos domingos e dava para tomar umas biritas depois, já o jogo do primeiro quadro normalmente era  no horário do almoço e seus jogadores nunca sentavam à mesa aos domingos com a família. Dizem que as estatísticas provam que o segundo maior motivo de divórcio no país é jogar no primeiro quadro de um time de várzea.

Resolvi dar uma geral nas gavetas do meu armário e encontrei algumas fotos da minha época de jogador de pelada do Everton Esporte Clube do Bairro do São José de nossa cidade, um tempo que com certeza não volta mais, amigos que não voltarei a ver, uns mudaram-se e não deixou sinal de vida, outros já estão no outro lado da vida e por felicidade alguns ainda está vivos e próximos.


A partir de agora, tentarei homenagear todos os peladeiros de nossa cidade que através de suas trajetórias no futebol, nos deixaram bem vivas na memória, partidas e jogadas espetaculares, que até hoje, são contadas e relembradas por ex - jogadores  cinqüentões, sessentões e setentões. Quem não os viu atuar na época áurea,  que alguns vão se lembrar de seus toques geniais.  Alguns deles machucavam  com a bola (evidente que não vou citar nomes aqui para não cometer nenhuma injustiça). Antigamente, dava muito gosto de assistir uma pelada dessa rapaziada do nosso futebol.