POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES
Quando iniciei minhas matérias no Museu do Esporte de Campina Grande, a prioridade fazer rever e relembrar aos leitores as histórias do esporte de nossa cidade, mas fui me encontrando com materiais históricos e fotos marcantes do nosso passado, que com certeza o jovem de 20 anos nunca visualizou ou só escutou nos relatos dos familiares mais idosos. Agora contarei fatos e mostrarei algumas fotos antigas que aconteceram no passado do município que nem eu sabia, e pesquisando encontrei estes relatos.
Tempos atrás o Shopping Boulevard daqui de Campina Grande fez uma exposição de fotografias antigas de nossa cidade que me chamou a atenção. Ela mostrava através da fotografia a histórica urbanística da cidade. São diversas fotos desde a década de 30 até a década de 50. A multidão que olhava admirada as fotos não imaginava as histórias que se escondiam por trás de cada flash. O autor da obra, Sóter Farias de Carvalho, se dedicou a fotografar a cidade no início ainda por hobby e depois se descobriu um amante da revelação.
Soter Farias de Carvalho foi cronista, repórter, vereador, mas apenas na fotografia encontrou sua vocação. Ele buscou sua identificação e mesmo com os trabalhos que exercia não abandonava sua paixão pela fotografia.
Durante muitas décadas, Campina Grande teve seu lado romântico e social registrados pelas lentes de grandes nomes da fotografia: Cacho, Cadete, Machado Bitancurt, Soter Carvalho nosso homenageado de hoje. Cenas hoje imortalizadas ficaram na lembrança dos contemporâneos desses gênios e são fonte de revisitação de um passado saudoso.
Por oportuno, acho justo lembrar os nomes de outros dois fotógrafos que deixaram um grande acêrvo fotográfico sobre a nossa querida Campina Grande clássica. Trata-se do irmão do Soter o Aderson Farias de Carvalho e José Cacho ambos contemporâneos do grande Soter e que deixaram para a posteridade o registro de grandes momentos históricos acontecidos na Rainha da Borborema.
Soter Carvalho é lembrado por ter retratado Campina Grandemais romântica, na década de 30 para trabalhar em nossa cidade. Mas era apaixonado pela fotografia e imortalizou uma Campina Grande tranquila. A maior parte do trabalho de Soter Carvalho estava voltada para o registro dos locais que passariam por reformas, assim como o seu processo de transformação.
Era comum também que ele registrasse as inaugurações e cerimônias públicas. A cada clique, o fotógrafo acompanhava a transfiguração da cidade, fazendo seus instantâneos que permitia o fechamento dos diafragmas e rápidas velocidades de obturador. A velocidade do obturador era importante porque permitia que a imagem fosse congelada, mesmo que houvesse movimento.
A documentação produzida por Soter Carvalho com riqueza de detalhes das fotografias permitia a avaliação dos imóveis e locais públicos de Campina Grande. Consciente da importância do fotograma como documento, costumava anotar na foto o nome do logradouro, a data e marcar a sua assinatura.
Soter Carvalho apoiava as mudanças no cenário promovidas pelo poder público e compreendia a fotografia como uma técnica, um instrumento objetivo, capaz de registrar fielmente os temas captados por sua lente.
Pouco se sabe a respeito das suas idéias políticas, entretanto, não parece haver dúvidas quanto à filiação e ao compromisso do fotógrafo com o futuro prefeito de Campina grande Ronaldo Cunha Lima conforme santinho abaixo:
Soter era profissional cônscio das suas atribuições como fotógrafo da cidade que se modernizava. Seu intento era fazer de suas fotografias fiéis amostras das cenas da cidade, e para isso intervinha através de elementos técnicos como a escolha dos planos, da angulação e do enquadramento ao fotografar a cidade.
Soter costumava escolher os planos que expressam bem sua intenção de neutralidade diante da fotografia. No carnaval, o fotógrafo suspendia o princípio da distância e se aproximava da gente nas ruas através dos seus primeiro plano e closes.
Sóter era contratado, amiúde, pelos exportadores, orgulhosos de sua produção, para fotografar os grandes carregamentos de algodão. Às vezes, os fardos ocupavam ruas inteiras, chegando a dificultar o trânsito nas redondezas onde eram embarcados nos trens da British Railway para o exterior. Paralelamente a esse trabalho, fotografava a elite campinense em seu estúdio.
obre suas fotografias e a memória da cidade, Machado Bitencourt fez três documentários, entre 1978-1979, 16mm: Memórias do velho Sóter, e os curtas O eldorado, A morte de Félix Araújo, e Visões da cidade amada, utilizando as imagens fotográficas de Sóter para relembrar locais e fatos marcantes na história de Campina Grande, narrados pelo fotógrafo. Posaram também para as suas lentes, as prostitutas do Eldorado, cabaré de luxo aberto em Campina com o incentivo, financeiro, dos coronéis do algodão.
Soter não apenas se dedicou aos registros, mas à sua organização, arquivamento e catalogação, de modo a constituir um acervo fotográfico, ou melhor, um álbum da memória da cidade.
Somos, portanto, profundamente gratos aos stúdios fotográficos de Sóter e Aderson que funcionaram conjuntamente durante décadas na Rua Maciel Pinheiro, no 1º andar do edifício onde então funcionava a histórica e tradicional sapataria "A Solar".
Algumas fotos de Soter para ilustrar esta pequeno biografia:
Como o acervo é muito grande, depois postaremos mais fotografias do mestre Soter de Farias Carvalho
Fonte da Pesquisa:
Acervo da família de Soter Carvalho
Anuário de Campina Grande
Dicionário das Artes Visuais da Paraiba
Blog Celeiro do Sam