terça-feira, 8 de janeiro de 2013

SOS FUTEBOL DE PELADA DE CAMPINA GRANDE

POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES



Há uma nuvem de saudade sobre Campina Grande, com o crescimento da cidade e consequentemente o fim dos "campinhos de Pelada", o mercado imobiliário passou o trator em cima e a omissão dos políticos deu a extrema unção. Ficou muito pouco. É uma história parecida com o Carnaval que foi sepultado. Devemos brigar pelo que resta e espantar as ameaças. O futebol de pelada de Campina Grande pede socorro. 
O que resta hoje desse futebol popular são poucos campos preservados à força, mostrando que a cidade perdeu para sempre. O grande futebol de pelada de Campina Grande que era bonito de se ver passou, uma bonita historia que pode interessar a estudantes e pesquisadores. Mas eu acho que por mais que se dediquem jamais vão conseguir recapturar o clima daqueles domingos quando velhos caminhões ou carros cruzavam a cidade inteira carregando jogadores para batalhas incertas pelos campos da cidade. Os jogadores passavam batucando, amontoados perigosamente na carroceria dos caminhões ou nos ônibus. No fim da manha ou da tarde passavam de volta, alguns mais silenciosos, outros mais barulhentos ainda do que quando foram, batucando mais forte, comemorando a vitória. O som desses caminhões ou ônibus foi durante muitos anos o som dos domingos e eu nunca vou esquecê-los.
No lugar dos campos, desses times hoje se erguem edifícios com enormes grades protegendo seus moradores. E o futebol, que antes era nos campinhos de pelada, agora acontece na sala de visitas, pela televisão. Desses clubes ou times formados por grupos de amigos surgiram craques que fizeram sucesso nas principais equipes de Campina Grande.
A geração de agora ironiza lembranças encharcadas de saudosismo, dos tempos passados, quando chegar a sua vez, perceberão que guardam tesouros no baú da memória. Só então descobrirão a alegria de poderem dizer “eu vi isso ou aquilo” ou “eu estava lá”. Claro, algumas lembranças são de uso e gasto pessoal, intimas. Falo das outras que formam a base da memória coletiva que fazem parte de um projeto com mais gente na garupa. Devem ser compartilhadas de parte a parte, mais ou menos como os guris e alguns adultos ainda hoje trocam figurinhas para completar seus álbuns. É até obrigação.
Os atletas e torcedores do esporte amador de Campina Grande da minha faixa podem não ter muito em comum para conversar, até alguém lembrar um jogador com apelido de “Nego Bode” do Leão do Monte Santo, um negão de quase dois metros de tamanho que jogava e espantava os atacantes no campo do seu Time no bairro do Monte Santo. Ou se lembrar em segundos uma explosão de lances geniais de alguns atletas do passado, com ou sem bola, revelará uma amizade íntima de que nunca desconfiaram antes.
O mundo mágico do esporte amador de nossa cidade se abre instantaneamente, à simples menção do nome de um jogador ou de um clube do passado.
Ates de passar ao outro plano “Nego Boba ou Soares” nos presenteou um futebol inteligente e bonito ainda vivo em nossas retinas. Não é só isso. Como em um filme, rodopia o carrossel das emoções que vivíamos as aventuras, as amizades, os sonhos. Tendo os bairros e comunidades de nossa cidade de então como cenário. O futebol fazia girar o carrossel e montado nele pintava a visão que tínhamos de nós mesmos e dos outros.
O futebol nos “amansou”. Garotões tinhosos que éramos dentro e fora do campo. Nós e toda uma geração. Foi uma escola de vida que completava as lições de casa e do colégio. Era o fecho de nossa identidade, a certeza de pertencimento a uma comunidade, a uma cidade, a uma sociedade. Independente de clubes era e é grato a quem fazia o carrossel girar, mesmo sem nunca trocarmos uma palavra. O futebol nos igualava na tristeza e na alegria.Certo, aceito que foi assim porque era o jeito de as coisas acontecerem. Outra época, outro jeito, de pleno acordo. Só me pergunto o que aconteceu – melhor o que não aconteceu com a geração que veio depois da nossa, quando o futebol deixou de ser praticado nos campinhos e nas quadras de futebol de salão.
Hoje em dia infelizmente o futebol de campo de nossa cidade está quase morto. Em certa passagem por alguns antigos campos de nossa cidade muitos deles engolidos pelo “progresso”, uma perda trágica para o encontro da cidade consigo mesma.
Ele se foi e até hoje tateio em busca da resposta. Só fico torcendo para que os garotões que nos sucederam tenham encontrado outro modo de "ser feliz" como nós fomos em volta de uma bola.
FOTOS DE ALGUNS GRANDES TIMES E  RACHAS DE CAMPINA GRANDE:























ORIENTE 











10 comentários:

Anônimo disse...

Ah! saudade...FUTEBOL DE PELADA, que me ensinou a viver, a chorar, a se apaixonar!!!

Jonas didi

Anônimo disse...

Jobedis,
Ainda resta voce para agrupar essas lembranças e divulgá-las. Estabelencendo um vínculo com o passado e fazendo com que aquelas tardes/manhãs dos domingos sejam revividas através dos seus comentários e fotos.
Parabéns!
Marinaldo
Teresina, 08-01-2013.

Anônimo disse...

Me bate uma nostalgia sem tamanho lendo sua reportagem. Ainda hoje trago na memória, nossas “viagens” aos domingos para os jogos do Everton. Partidas que na maioria das vezes saiamos vitoriosos. Tínhamos bons e aguerridos adversários: Estudantes, Botafogo da Liberdade...etc. Outros nem tanto, não estavam a altura de nos enfrentar. Mas, como tinha algum dirigente amigo do “véio” Fuba. La íamos nós cumprir o compromisso assumido. Aos quais geralmente “mentíamos dois, três gols e começávamos a “ciranda”. Tão prazeroso quanto as vitorias, eram as “voltas” ao São José. Voltávamos comemorando e bebendo nãos bares e mercearias ao longo do caminho de volta. Recordo um fato engraçado. Tom, não tomava uma “caninha” e sim, “Cinzano” ao que Fuba (trairava) “não sei como ele toma essa “porqueira”...
Lamento que a nova geração sucessora, não tenha dado sequência ao nosso legado.

Me solidarizo com sua opinião e mais uma vez, Parabéns pelo trabalho.
Vadinho

Alberto Jorge Guimarães (Porto Velho) disse...

Jobedis parabéns pelo resgate que vc está fazendo sobre o esporte de niossa cidade. Hoje os , dirigentes de clubes Treze e Campinense s ainda não perceberam a importância desse esporte no nosso dia a dia. Esquecem da necessidade de se fortalecer. Até perdemos vários campos na Cidade. Lógico que foi por uma boa causa, ou seja, o desenvolvimento do Município. Mas esse crescimento poderia acontecer juntamente à implantação de campos em áreas existentes na Cidade.
Para lembrar, primeiro perdemos quase todos os campos do bairro da Liberdade.. Que saudade daqueles finais de semana. Dos dias de bater aquele bolão no Torneio Suburbano e o campeonato Amador ou até mesmo de um amistoso, com o Gremio no Bacião no leito seco do Açude Novo.
Depois perdemos os campos de Bodocongó e do bairro do Catole´do famoso Olaria de Zezinho Leite. Quem fez parte da era de ouro para o futebol de que não jogou naqueles gramados? Lá, onde aconteceram várias partidas famosas, foi construído o maior Shopping da região. Ficamos até sem o espaço conhecido como campo. Mais uma perda lamentável para o futebol amador. Em síntese, nos últimos 40 anos Campina Grande vem num crescimento imobiliário monstruoso e o futebol amador numa decadência assustadora.
Outra explicação que ninguém sabe dar é o desaparecimento da Liga Campinense de Futebol Amador, sem que ninguém prestasse contas do ocorrido nos últimos anos. Para piorar a história do futebol amador de nossa “Rainha da Borborema”, sumiu juntamente com a diretoria da Liga de Futebol Amador. E ninguém fala nada. Imprensa, políticos e clubes se calaram. Uma história cheia de glórias, mas esquecida. Sobre as equipes campeãs dos anos de 50 a 80, onde estão os documentos que comprovam esses títulos? Ninguém sabe, ninguém viu.

Roberto de Oliveira Sobrinho disse...

JOBEDIS O POPULAR JOBÃO GRANDE CRAQUE DO NOSSO FUTEBOL DE SALÃO E DE CAMPO PARABÉNS PELA MATÉRIA,É MUITO LEGAL REVER MUITOS CARAS QUE JOGARAM NO FUTEBOL DE PELADA DO PASSADO DE NOSSA CAMPINA GRANDE,JA QUE SOU UM DELES,GOSTARIA DE DAR UMA SUGESTÁO,POIS PODERIA TER MAIS FOTOS DOS GRANDES TIMES AMADORES DE CAMPINA COMO O YPIRANGA,FRACALANZA, NACIONAL DE ZEZE, ENTRE OUTROS. NOSSA CIDADE TIVE GRANDES TIMES!!! OBRIGADO E ABRAÇOS A TODOS...PARABENS!!!!!!

Severino Evangelista do Nacimento (Vanjinho) disse...

JOBEDIS
Obrigado pela materia, tenho a absoluta certeza que grande parte dos envolvidos que estão espalhados por este mundo, conheceram melhor ainda o fantastico site que voce possui. Recebi muitos e mail's e, gostaria de dividir com voce, pois sem este trabalho teu , jamais iríamos rever , mesmo que virtualmente, os GRANDES PERSONAGENS desta grande história do futebol de pelada de Campina Grande

Anônimo disse...

Jobedis Eu não o conhecia pessoalmente, mas no ano passado fui apresentado através de amigos no encontro ai no Campestre. Parabéns pelo trabalho desenvolvido em pró do esporte amador do passado de nossa Campina Grande, Vi que vc apesar de todas as honras e de grande atleta que foi é uma pessoa integra, humilde e comprometida com aquilo que se dispos a fazer, parabéns. E graças ao site pude encontar uma foto do infantil do Trezinho time q eu defendia na época, foi muito bom rever aquela foto e relembrar do amigos e do treinador Biu Fei

antonio Henrique Neto (NETINHO) disse...

Jobedis
AÇO, DAS PALAVRAS DOS AMIGOS QUE JA POSTARAM AQUI NESTA CANTO, AS MINHAS!!!! NADA A ACRESCENTAR, É ISTO MESMO, MEU TAMIGO JOBAO. SEI QUE VC TIRA HORAS DE FOLGA, PRA FAZER OUTROS FELIZES, COM ESTA AMOSTRAGEM GERAL DE FATOS E FOTOS. PARABENS, POR MAIS UM ANO DE COMPETENCIA!!! E QUE AO INICIAR 2013, TENHA MUITA SAÚDE, FORÇA DE VONTADE E CONTINUE COM ESTE "CANTINHO" DO ESPORTE AMADOR, P/ ALEGRIA DE MUITAS FAMILIAS, MEU CARO!!!

Carlos Antonio Escorel disse...

JOBEDIS
É um prazer imenso te conhecer no encontro passado . sei da tua trajetória, da pessoa que você é, do teu carater, simplicidade e por tratar todos da mesma maneira. Isso faz de você uma pessoa especial e querida por todos. Você faz muita falta na Secretaria De esporte de nossa Campina Grande.

Anônimo disse...

Jobedis,
Oportunas e pertinentes as tuas considerações a respeito do desaparecimento dos campos de pelada em Campina Grande. Por ter morado no Bairro da Bela Vista por muitos anos, pude acompanhar o desaparecimento de vários desses campos, seguido do consequente desaparecimento dos times a eles associados. Foi assim com o Madureira, Canto do Rio, Pedro II, Bela Vista, Flamengo, Nacional, Fluminense, Industrial, Humaitá, só para citar alguns. Muitos desses campos estavam localizados entre a parte de trás do Colégio Estadual da Prata e proximidades do Ginásio César Ribeiro (Campinense Clube). Pode ser coincidência, mas com a decadência dos times de pelada, a falta de motivação pelo esporte deu lugar ao interesse pelas drogas e, por consequência veio a violência, vidas precocemente destruídas e o aumento da criminalidade. Como cidadão, não há como se omitir diante desses fatos. Temos que alertar a sociedade e cobrar medidas concretas por parte seus representes.
Benedito Antonio Luciano (Bené)

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