domingo, 30 de outubro de 2011

CONTE SUA HISTORIA - OS VADIOS DO SÃO JOSÉ

POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES



Os vadios do São José


O termo “vadios do São José” traz consigo, de imediato, a idéia de dissolução, de irresponsabilidade, de vícios, de noites de embriaguez e, por conseqüência, de dias de ócio, para curar a ressaca. Durante muito tempo, essa expressão foi utilizada para rotular os indivíduos que não eram, digamos, "muito responsáveis". Pessoas sem regras ou disciplina, incapazes de parar em qualquer emprego ou de constituir e sustentar uma família. Ainda hoje a palavra tem esse sentido pejorativo. Mas nem todos os rapazes do bairro do São José eram vadios ou boêmios ou se   dedicavam o tempo todo a noitadas alegres, regadas a álcool. Pelo menos no nosso caso e do nosso grupo de rapazes, nos princípios dos anos 60 e 70, não acontecia dessa forma. A maioria ou trabalhava ou estudava e nos preparávamos com afinco para a vida.

Reuníamo-nos nas nos finais de semana, após o trabalho ou estudos, em um bar da Rua Lino Gomes, que pertencia a um amigo nosso, em algumas mesas, para colocar a conversa em dia. Era a nossa forma de lazer. “Ali, entre um copo e outro, acompanhado de petiscos, disputando as bebidas e os tira-gostos na ‘porrinha”. Jogávamos até disputar todas as despesas, conversando e algumas vezes "zonando com as “amas de leite”, já que no sábado, ninguém da nossa turma teria que trabalhar ou estudar. Os temas eram extremamente ecléticos. Versavam sobre todos os assuntos em voga, já que tínhamos de tudo entre nós: estudantes de medicina, de engenharia, químicos, professores, jornalistas, administradores, dentistas, advogados, futuros: políticos, fiscais de renda, ex-jogadores profissionais de futebol, delegados de polícia, etc.


O Bar Cristal nestas ocasiões ficava mais barulhento que de costume. As pessoas nas mesas pareciam ter saído de um jogo de futebol e discutiam os mais variados assuntos. Bem, nem tão variados assim, já que noventa e cinco por cento das conversas de bar giram em torno dos temas: mulher, futebol, política, trabalho/estudos e assuntos relacionados.

Nossa mesa não era diferente. Já tínhamos conversado sobre todos esses assuntos sob diversas ópticas e nuances. Quem era mais gostosa, se Fulana ou cicrana; nossa última desilusão amorosa; quem era melhor, o Vasco ou o Flamengo; quem era a mão branca e responsável pela violência que nos atingia; enfim, toda essa ladainha masculina de bar que tanto nos atrai e que as mulheres não conseguem compreender.

Não nos recordamos de ninguém que se excedesse na bebida e de nenhuma desavença séria, apesar do "calor" com que alguns assuntos eram debatidos aos gritos e até palavrões. Principalmente os que se referiam a futebol e a política brasileira.
         
Mas toda a regra tem exceção, claro, tinha sempre algum que queria ser mais “sabido” que os outros, mas esses retrógrados não se davam conta do seu atraso e ignorância. Ou cinismo, oportunismo, ou sabe-se lá o que mais.

 Uma vez por mês, nosso grupo fazia serenata, o bairro ou em algum outro bairro da cidade. Violência era coisa rara. Hoje, seria impossível isso. Quem se atrever, corre o risco de voltar nu para casa, se voltar. Será, fatalmente, assaltado.

O mais importante era é a energia positiva que rolava entre a gente, agradando tanto aos mais jovens quanto aos não tão jovens assim. “Agradar a todos era impossível. Nós sabemos que têm muitas pessoas que gostavam do que a gente fazia e tinham pouquíssimas outras, que não. Isto é normal, numa sociedade democrática. A gente só esperava contar com o bom senso, daquelas pessoas que não gostavam tanto, para que não atrapalhassem nossos objetivos, pois, o que nós fazíamos eram com muito empenho, amor e dedicação.

Essa era a nossa “vadiagem ou boêmia”. Ingênua, barulhenta, inocente. Além de aproximar amigos, servia como um aprendizado da realidade brasileira, embora na ocasião não nos déssemos conta. O objetivo era somente o de lazer. Havia noites que sequer bebíamos algo mais forte do que um guaraná (era quando tinha um jogo importante do Everton no dia seguinte).

Muitos assuntos foram debatidos e discutidos nesse bar (Bar Cristal) da Rua Lino Gomes, hoje remodelado para dar lugar a uma Loja de Matérias ortopédico. Nem gostamos de passar por ali, pois quando o faço nos dá um aperto no coração, pois um pedaço da gente ficou perdido nesse tempo específico e nesse local exato. Aprendemos muitíssimo com os jovens brilhantes e amigos que participavam dessas biritas e jogadas, hoje profissionais e políticos vencedores, de renome nacional.

Nossa vadiagem ou boêmia era inocente mais produtiva, profícua e inteligente. Não se associava a ócio ou embriaguez, a não ser aquela que atinge jovens idealistas dispostos a lutar por aquilo em que acreditavam: a das idéias. Parecia mais uma irmandade, onde os irmãos de fé arquitetavam um futuro, sem que ninguém sequer desconfiasse que estivessem fazendo isso.

A nossa galera

O Grupo de Jovens da galera do São José surgiu a partir do momento que o Everton foi fundado e que uniu todo o bairro em um único time. No início, as reuniões eram feitas nas casas, ora de um, ora de outro, antes de se construir o banco da Praça do Trabalho. Com a construção, as reuniões passaram a ser ali todos os dias das semanas.

Nas reuniões, nós falávamos sobre relacionamento, cinema, futebol, fofocas do bairro, sexo, desenvolvimento, progresso. Realmente, eram reuniões de “formadoras de opiniões”. Nesses encontros, não havia a presença de nenhum “intruso”, mas dos amigos que moravam no bairro. Eles se tornaram muito mais amigos que antes. Não tinham nenhuma influência direta sobre nossas opiniões. Eram companheiros mesmo e quase todos tinham idade próxima à nossa.

A turma que participava dos encontros de bate-papos era bastante mobilizada. Acredito que chegou a ter mais de 30 integrantes. Nós fazíamos muita atividade com a sociedade, como "os rachas no Bacião”, que ocorriam em um dia da semana. Não havia “coisas” ou bebida alcoólica, apenas conversas. Às vezes, fazíamos alguns eventos mais elaborados no salão da AABB, em que tinha um dos nossos amigos (Jobedis) como Diretor Social. Certa vez, fizemos o "Baile de Carnaval", e decoramos o clube e as mesas. Nós costumávamos fazer excursões para ndiversas localidades. Fomos para: Cabedelo brincar um carnaval, Baia da Traição para Veranear, representamos a Universidade da URNE com uma seleção Universitária na cidade de Itaporanga, íamos para diversas cidades do estado brincar o São João e o São Pedro,  entre outras.

O mais interessante no grupo era o fato de ele ser democrático, não fazer diferença social ou cultural. Quando tinha algum evento ou passeio, todos eram chamados. Esse foi o maior sucesso do grupo em todo o período que ele esteve presente no bairro.

Os falsos vadios 

Diariamente, apareciam no bairro charlatães e falsos “vadios”, com receitas "milagrosas" sobre a arte de viver, ditando normas, de conformidade com suas fantasias e ilusões. E nunca lhes faltavam discípulos e adeptos. Estes tipos de pessoas surgem do nada, eram  espertalhões, que exploravam a ignorância, inocência ou boa fé dos mais simples e inocentes da vida.

Falavam baixinho, no ouvido destes inocentes, em modernidade, da “nova sensação”, embora, ao ver alguns daqueles estranhos que os  chamavam pelo nome fumando um troço enrolado em papel de pão, exalando um odor estranhíssimo e  convidando pra "dar um tapinha". Ao dizer que não fumava, eles retrucaram: "mas esse você vai fumar e se amarrar". Como nossa turma viu que todos riam sem motivo aparente de qualquer coisa, resolveram sair dali e nem sequer atenção o desconhecido e nem dar o tal tapinha. Eles como constataram  a maioria da galera não queria e na cabeça nossa não existia  nada de novo na cabeça desses “metidos a vadios”. Davamos um “gelo” e iam embora.

A influencia da nossa galera no bairro

Se não houvesse a amizade sincera da galera, acredito que a maioria daqueles grupinhos de jovens não teria muita perspectiva de crescimento. A não ser o fato de serem pessoas de família, de terem pais e mães como modelo de vida.  Com aquela orientação de nossos pais e amigos mais velhos que a gente recebia, fomos amadurecendo, colocando nas nossas cabeças que não era só aquilo, que a gente poderia trilhar um caminho melhor. Vimos que tínhamos que estudar, progredir, buscar um objetivo maior de vida. Para a maioria da galera, isso foi muito importante porque eram filhos de família pobre  e nossos pais tinham pouca condição financeira.

A integração que o grupo proporcionou entre os jovens e suas famílias foi muito importante para o bairro. Todos os jovens se conheciam, iam na casa uns dos outros e não havia distância entre eles e os adultos.

No  nosso grupo, a maior liderança, a mais expressiva e carismática era a nossa fôrça de vontade. Ela era uma muito dinâmica, e tinha o  diferencial para a época. Outros também exerciam uma liderança.

Os Bate-Papos

O comércio da cidade fechava geralmente às 17 horas e, logo depois, começavam a se formar as diversas rodas para o bate-papo até o horário do jantar, e restabelecido por volta das 19:30 até às 22:00 horas. Nesta hora, se dizia na época, “se soltavam as feras”. Era a hora que todos tinham que deixar as suas namoradas, retornando ao bairro. Pois neste horário começavam a chegar os freqüentadores assíduos, amigos e conhecidos, para as conversas e as novidades do dia. Havia tempo para tudo. Principalmente o encantamento por uma cidade e os delírios de uma mocidade cheia de sonhos, que se tornava grande aos nossos olhos. Estavam sempre presentes as figuras mais expressivas de uma geração: Fernando Canguru,Cho,  Jobedis,  Jonas Didi, Albertinho Limonta, Futenta, Glauco, Joadir Cabeção,  Zeca, Mestre, Naldo, Martinho, Valdinho Carapuça, Mozaniel, Vadico Sabino, Firmino, Son, João Enganei Mãe, Catita, Chiquinho, Pedrinho Feitosa, Nego Gilson , Maribondo , Wallace, Willames Gaguinho, Zé Iacoíno, Chico Cateta, Mestre, Chininha, Sabará, Dedê Passarinho, Zé Neguim, Luiz Melo e outros.
         
Existiam grupos para conversas de todos os assuntos: futebol, política, religião, até de safadeza. Também um pequeno grupo, formado pelos “artistas”, rapazes de uma geração bem mais nova, que se preocupavam em se vestir na última moda e sempre com o cabelo muito bem penteado.

Tinha um grupo de notívagos, comandado por Sabará que varavam a madrugada em intermináveis conversas no “Banco da Praça”, grupo que era conhecido como os freqüentadores da ”Universidade da fofoca”. O grupo se entrincheirava em defesa do direito de jogar conversa fora, depois do cinemar. No banco eles  comentavam futebol, política e, evidentemente, a vida alheia, divertindo-se com a ousadia do marketing do  maior do “maior time de time de pelada da história de Campina Grande – o Everton Esporte Clube.

No banco da Praça até  Zé Balbino  aparecia por lá e  falava mal da Seleção Brasileira e de Pelé, seu maior desafeto e falar bem de seu cumpadre Augusto Ramos, que para ele era a única  pessoa da policia que ele  respeitava.São tantos os mistérios das fofocas do banco da Praça  que, para enumerá-las, nem mesmo com mil livros.

Infelizmente, uma  grande maioria destes personagens já empreendeu a grande viagem, mas continuam presentes nas estórias que costumamos  resgatar a nossa memória.

Como éramos felizes!

Hoje, procurando recordar alguns momentos memoráveis daquele local tão vivenciado por muitos companheiros da juventude, fazemos uma viagem no tempo, um evocar melancólico dos dias idos. Nunca se deve mexer em coisa antiga, mas, às vezes, é bom trazer de volta um passado que alegrou a nossa mocidade. No Bairro do São José, vivenciamos muitos fatos e momentos interessantes das nossas vidas e  de como éramos felizes há tempos e não nos dávamos conta disso...

Abaixo algumas fotos dos desportista do bairro em comemorações de diferentes formas de lazer e confraternização.


ALGUMAS FOTOS DA GALERA DO SÃO JOSÉ















          












sábado, 29 de outubro de 2011

QUEM ERA CRAQUE - ASSIS PARAIBA

POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES
                  

O futebol amador  de Campina Grande sempre foi grande celeiro de craques do futebol.  Mas para mim, O Assis Paraiba foi o melhor jogador de futebol que eu vi jogar em Campina Grande. Possuidor de uma qualidade técnica excepcional, chutes e passes precisos, ótima visão de jogo, contava ainda com uma maneira toda peculiar de jogar. Quando ele recebia a bola no alto e a descia ao chão, espetacularmente, com ela colada ao seu peito, em um espetáculo de beleza e plasticidade.


Assis Paraíba, começou no amadorismo do Treze, aos 10 anos de idade em 1970. Logo após, passaria para as equipes de base, estreando em 1973 como profissional. De hábitos simples, Assis era o tipo do jogador que levava a profissão a sério. Poderia ter sido um bom torneiro mecânico, se desde cedo não tivesse metido na cabeça a obsessão pela bola. O diploma fornecido pelo Senai nunca foi usado, porque coincidiu com a inscrição nos juvenis do Treze, depois de passar pelo Oriente e pelo Linense, times do bairro da Liberdade. Passou apenas oito meses nos juvenis, pois o técnico Manuel Veiga - ex-zagueiro Mané, que foi do Palmeiras e do Sport - resolveu promovê-lo logo ao time principal. A alegria deste momento, porém, foi se misturando a tristeza de ver que problemas familiares começavam a nascer, refletidos nas reações de torcedores diante de uma ou outra atuação menos convincente contra o Campinense, clube aristocrático, maior rival do Treze. A família pendia para o Campinense, e com alguma razão, pois lá jogavam seus irmãos  Gaminha (Valdecir) e Zé Preto.

Admirava cada drible, cada matada de bola, cada lançamento, cada passe, cada chapéu desferido no adversário. Muitos torcedores do Treze ficavam, sentados no chão, no estádio Presidente Vargas do Treze  apreciando as suas jogadas e muitos se  questionando por que  não conseguia fazer aquilo que, para ele, parecia ser tão simples e fácil. Sou seu fã incondicional até hoje.

Saiu do futebol amador para brilhar em vários times do futebol brasileiro: Treze, Esporte, Tiradentes e no futebol árabe.

Tive a frustração de não poder jogar futebol ao seu lado. Certa vez, o nosso time Everton foi jogar contra o seu time do bairro da Liberdade o Oriente com vários jogadores veteranos (entre eles: Zé Preto, Lima, Assis, Dedê, Gaminha).  Ele até posou comigo . Foi uma tremenda alegria de ter derrotado a forte equipe pelo placar de 3 x 0 e frustração não poder atuar ao seu lado, mas pelo menos tirei uma foto ao seu lado, o que muito me orgulha.

Ficará eternizado aqui no Museu virtual do esporte amador de Campina Grande como um dos grandes atletas surgido no futebol amador de nossa cidade.


video com Assis


ALGUMAS FOTOS DO GRANDE JOGADOR:
   
                TIME DO ORIENTE DA LIBERDADE










quinta-feira, 27 de outubro de 2011

HOMENAGENS AOS GRANDES ATLETAS DO ESPORTE AMADOR DE CAMPINA GRANDE

Por: Jobedis Magno de Brito Neves




Esta é uma homenagem que o Museu virtual do esporte Amador de Campina Grande presta aos grandes atletas do Esporte Amador do passado. Grandes jogadores, que brilharam nos campos e quadras esportivas de nossa ciade. Foram a nossa inspiração quando demos nossos primeiros passos no  esporte de nossa cidade.

A todos estes grandes atletas, que ainda estão vivos, e aos já falecidos, “in memorian”, fica registrado aqui no museu do esporte de Campina Grande e, e tenho certeza, em nome de toda a comunidade do Futebol Amador de nossa cidade, o nosso respeito e a nossa admiração.

Sebatião Vieira (FOTO) era no campo ou nas quadras, a imagem de um grande atleta; na vida pessoal o retrato da competência. Esses são alguns os traços mais marcantes do perfil de um dos grandes ídolos da história do esporte amador de nossa cidade. Apesar de figurar na galeria dos maiores jogadores  da história do futebol de salão de Campina Grande e continuar muito vivo no coração da torcida, jamais alguém o flagrou se vangloriando dos muitos gols que marcou vestindo a camisa dos times de nossa cidade

Professor aposentado, na juventude foi um “craque” de futebol. Sebastião Vieira o Bastião era um grande desportista e praticava diversos esportes: Basquete, Volei, Futebol de campo e de Salão. É uma penas os jovens de agora não ter visto Sebastião  atuar nas décadas de 50 E 60, pelo estudantes. Mas, certamente, essa nova geração já teve a oportunidade de escutar várias histórias a respeito desta verdadeira lenda viva do esporte amador de nossa cidade do passado. No futebol de campo era um meia ofensivo (falso atacante na época), era capaz de botar qualquer zagueiro para “dançar”. No basquete ou no futebol de salão era  um dos jogadores mais inteligentes do poderoso Estudantes.


Ele era  como vinho, quanto mais velho, melhor. Entrava  ano e sai ano e lá está Sebatião Vieira  desequilibrando. Com um vasto currículo como atleta , esse jogador  esbanjava  liderança e comprometimento dentro de campo. Era o típico jogador com que todo técnico gostaria de contar em um elenco. Não é à toa que o craque era  uma espécie de líder dentro do elenco do poderoso Estudantes, time que fez muitas campanhas impecáveis. 


Abaixo algumas fotos do arquivo pessoal do ex-jogador João Mario Correia Costa do atleta Sebastião:


                           SEBASTIÃO COMO ATLETA DE BASQUETE


SEBASTIÃO COM ATLETA DE FUTEBOL DE SALÃO


  SEBASTIÃO COMO ATLETA CAMPEÃO DE FUTEBOL


                SEBASTIÃO COMO ATLETA CAMPEÃO DE FUTEBOL DE SALÃO

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

CANTINHO DA SAUDADE - HUMBERTO DE CAMPOS

É com muita tristeza que o Museu Virtual do Esporte Amador de Campina Grande homenageia um dos grandes nomes do esporte e jornalismo desportivo campinense, e porque não dizê-lo de todo o estado, mais concretamente Humberto de Campos o popular “Moça Velha”. Um homem por quem eu tinha uma grande admiração enquanto profissional e colega do esporte amador (com quem joguei futebol de salão pelo Treze e pelo Estudantes de futebol de salão), uma grande referência para mim que me considero um mero aprendiz na arte de escrever. 


Humberto foi um dos goleiros ídolos do amadorismo da cidade, por assim dizer, e no jornalismo desportivo, e foi com profunda tristeza que ao passar os olhos pelos jornais do dia do seu falecimento dei com a notícia da sua morte. Para quem não o conhece, o que julgo serem poucos, assinou milhares de crônicas a serviços nos órgãos de comunicação da cidade. 


Ficaria conhecido nos meandros do jornalismo esportivos como um comentarista implacável, acompanhando diversas vezes a comitiva dos órgãos da imprensa que trabalhava e equipas de futebol. O futebol de salão era uma das suas grandes paixões, sendo esta a área em que se tornaria um mito nesta profissão. Era adepto confesso do cinema, tendo escrito vários crônicas sobre este assunto. Depois de abandonar o esporte amador como jogador,  continuou a sua brilhante carreira de jornalista desportivo onde permaneceria até à hora da sua morte. 


Tive a oportunidade, e a honra, de conhecer pessoalmente este homem quando jogávamos juntos ou como adversários no amadorismo campinense. Morreu, vítima de doença que o afetava há algum tempo,  mas ficou imortalizado na história do amadorismo e do   jornalismo desportivo campinense.

ALGUNS CLUBES QUE HUMBERTO JOGOU EM CAMPINA GRANDE



ESTUDANTES: NO ALTO: PAULINHO, ADEMIR, ZACARIAS E JOBEDIS
ABAIXO: JORGE.  HUMBERTO DE CAMPOS E GIL SILVA







segunda-feira, 24 de outubro de 2011

CANTINHO DA SAUDADE - SIMONAL

POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES




Faleceu recentemente um amigo de longas datas. SIMONAL- Biólogo e tinha 61 anos. Infarto fulminante. 

Mais um grande amigo de infância que se vai.  Conheci o Simonal ainda jovem ,  quando rachávamos pelada ali pelo campinho que ficava nas Embiras perto da sangria do Açude Novo e também o campo da Perua, tanto ele como outros amigos na década de 60, mais o Simonal para mim era a cara do Estudante, a onde jogou por alguns anos ou pela lateral ou pela ponta direita era rápido e raçudo.


Craque do nosso futebol vai deixar saudades, encerrou seu ciclo de vida terrena,  agora mais um que vai ficar na nossas mentes suas s jogadas, seu jeito de atuar, sua garra  quando esteve vestindo o uniforme nas equipes que atuou, em Campina Grande.

Atuou no Embirense, Everton, Estudantes entre outros inclusive no Treze. Marcou  sua história dentro do esporte amador de nossa cidade  integrando as cores desses times. 


Teve ótima passagem pelo futebol de salão onde é lembrado por sua raça dentro das quadras, agora será mais um em que teremos saudades pelo o que representou na sua época como atleta e pessoa. 

Meu amigo que Deus lhe acolha no reino que você merece….


Meus pêsames a todos os familiares.



CONTE SUA HISTÓRIA - FLAMENGO DA BELA VISTA



Benedito Antonio Luciano - Ex - jogador


O Flamengo da Bela Vista foi um dos bons times de pelada de Campina Grande. Segundo informação obtida junto ao colega Biu Eloy, o rubro-negro da Bela Vista, como ficou conhecido, foi criado no dia 25 de junho de 1956, por Carlinhos, um jovem desportista morador da Avenida Rio Branco.

Por volta de 1957, o meu pai, Pedro Antonio Luciano, veio morar no bairro Bela Vista e nos domingos pela manhã ele tinha dois compromissos: assistir a missa na Igreja do Rosário e, depois, assistir aos jogos do Flamengo da Bela Vista. Foi assim que comecei a torcer pelas cores vermelho e preta.

Em termos organizacionais, o time tinha uma sede, um presidente e um tesoureiro (meu pai foi um deles). Lembro-me de uma sede localizada na Rua Cônego Pequeno, por trás de uma mercearia pertencente a um senhor chamado Jeremias, pai de dois jogadores do time aspirante do Flamengo: Jessé e Jairo. Ali, nos sábados à noite, eram realizadas as reuniões para discutir o jogo do domingo e para que os jogadores pudessem contribuir financeiramente para a manutenção do time. Foram com essas contribuições e com o empenho de João Baiano que o Flamengo deixou de ser um time que jogava descalço: foram compradas chuteiras, uniformes completos, bolas e redes. No primeiro jogo, com os jogadores calçados de chuteiras, o Flamengo empatou com o Têxtil em dois a dois.

Originalmente, o campo que veio a pertencer ao Flamengo pertencia a um time chamado Canto do Rio. Foi nesse campo, localizado num terreno ao lado do atual campo de futebol do Campinense Clube, no bairro Bela Vista que, aos quatorze anos, joguei a minha primeira partida como goleiro do time aspirante (segundo quadro) do Flamengo.

Sob diferentes diretorias, passaram pelo Flamengo grandes jogadores, alguns deles com destacada atuação em times profissionais: Edgar (duas vezes artilheiro do campeonato paraibano, jogando pelo Campinense Clube, em 1971 e 1972), Ivan Lopes, Poroca, Lula, Solon, Clovis, Ednaldo, Adautinho, Nenéu e Abidoral.

Hoje, o Flamengo da Bela Vista é apenas memória. Porém, ao longo de sua existência ele fez história. Uma história que precisa ser contada, pois foi onze vezes campeão do bairro e, em sua categoria, conquistou cinco títulos de campeão da cidade de Campina Grande, um deles de forma invicta, enfrentando na partida final o time do Mariluz, no Estádio Municipal Plínio Lemos. Uma história que precisa ser resgatada, pois boa parte da história documental desse grande time, organizada por Biturim e Biu Eloy, não soube ser preservada pelas últimas diretorias.

Abaixo um dos times do Flamengo da Bela Vista:



Benedito Antonio Luciano - Ex - jogador

O autor é professor do DEE/UFCG
Artigo publicado no Diário da Borborema, em 22 de maio de 2008.

domingo, 23 de outubro de 2011

O CANTINHO DA SAUDADE - GALEGO FLAVIO

POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES





Falar o nome Flavio Escorel pouca gente saberá, mas “Galego Flavio” zagueiro do Everton Esporte Clube do bairro do São José daí  sim todos saberão, pois marcou época,  fez sua história vestindo não só a camisa da equipe do Everton mais as cores do Juventus e da Portuguesa também do Bairro.


Quem das antigas não se lembra de   o “Galego Flavio”, pessoa do mais alto gabarito, pessoal e profissional. Foi atleta de alguns times de pelada de nossa cidade e nos anos 60 ajudou a fundar o Everton Esporte Clube e assumiu esta agremiação como Presidente por pouco tempo mas fez um trabalho elogiado por todos. Foi um baluarte do futebol e esporte campinense, símbolo de competência aonde atuava (era o gerente geral da Antártica por muitos anos), pois era um homem inteligente que sabia tirar lições em tudo e mantinha um circulo de amizade invejável.


Foi lutador, trabalhador irrepreensível e admirado, se no dicionário “saudade” é a lembrança triste e suave de um bem passado a lembrança de” Galego Flavio “ será sempre de alegria pois foi uma pessoa que marcou sua vida pela qualidade e sempre primou pela família, trabalho e amigos. 


Tive o prazer de ser seu companheiro de zaga por alguns tempos no time do Everton (conforme foto). Foi um zagueiro clássico que não maltratava a pelota tinha uma capacidade técnica excelente, seu posicionamento e recuperação era impressionante sempre esguio de cabeça erguida comandava o setor defensivo.


 Contribuiu para o engradecimento da equipe, primeiro como jogador  depois como dirigente ajudou esta agremiação com sua experiência mais por problemas particulares se afastou dos gramados, mas deixou uma marca positiva no esporte, os saudosistas relembram o potencial desse que foi uns dos maiores zagueiro do Bairro do São José e fez parte de uma das melhores equipes da histórias do futebol campinense.

Seus colegas ainda guardam na lembrança as suas piadas e tiradas inteligentes que alegrava churrascos, festas e reuniões. Ser agradecido é sinônimo de ser alegre, pois ficamos felizes e agradecidos de você nos ter tido como amigos, nunca esqueceremos suas brincadeiras e seu coração cheio de alegria . Grande amigo está longe alguns anos mais está viagem que você fez foi para ficar no mais alto pódio... que é o " Reino de Deus " e encontrou a paz.

Na foto Histórica de 1966.Vemos grandes atletas da equipe do Everton do bairro do São José  muitos ja falecidos: Em Pé Aldemir (falecido), Jorio, Amigo, Galego Flavio (falecido),Sabara,Chico Cateta e Antoi 40 (falecido). Agachados: Naninho(falecido), Zé iacoino, Chicão (falecido), Paulinho Japonés e Uala (falecido).

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

CONTE SUA HISTÓRIA - BOLA DE OURO: UM RACHA ÍCONE DO FUTEBOL AMADOR CAMPINENSE

Por: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES





A postagem de hoje foge um pouco aos padrões do museu virtual do esporte amador de Campina Grande. Mas quais padrões? Nunca houve nenhum. E, além disto, é bastante extensa. Mas explico:

Habitualmente procuramos não “copiar material”. Entendemos que é preferível que o leitor busque suas fontes de informações fidedignas. No entanto, a matéria que copiamos na íntegra, mas damos os devidos créditos e links, tem completa relação com outras já postadas em nosso museu. Trata-se de matéria publicada na Coluna do Internauta no portal esportivo agora esporte e feita por um antigo peladeiro o agora professor Bráulio Maia Junior. O texto do Bráulio nos traz notícias atualizadas sobre um racha ícone do futebol campinense - o Bola de Ouro que tem mais de 44 anos de fundação.

Então postamos em primeiro plano o trabalho do Bráulio e logo em seguida faço pequenos excertos com imagens e pequenos textos  e outros personagens são citados.

Portanto, peço paciência aos leitores que acompanhem os textos e seus detalhes até o fim. Pode ter certeza que vale à pena, mais este resgate da história de uma figura mitológica do imaginário coletivo da nossa “Rainha da Borborema”.

Veja o texto do Bráulio

Coluna do Internauta publicado no site www.agoraesportes.com.br
por Bola de Ouro, quinta, 17 de Março de 2011 às 18:32
COLUNA DO INTERNAUTA


24/05
Bola de Ouro - 40 anos 
Por Braulio Maia Junior

Transcorria o ano de 1967 em Campina Grande e um grupo de amigos se dividia em duas peladas aos sábados no período vespertino. Uma era realizada no Estadual da Prata e outra no bairro de José Pinheiro. Pela afinidade existente entre os membros dessas duas peladas, resolveram pela junção das mesmas, sendo escolhido como local para a prática do esporte bretão um campo existente à época dentro do Hospital João Ribeiro. Dos fundadores do racha que hoje continua fazendo parte da pelada e tentando jogar existe o Secretário de Estado Fkanklin Araújo Neto, o nosso popular Neto.
 No início da década de 70 o racha mudou de endereço, pois existiam atletas correndo o risco de serem internados naquele manicômio, isso pela maneira como tratavam sua senhoria, a BOLA, passando a ser realizado no Clube Campestre. São atletas desse período e que continuam fazendo parte da pelada, insistindo em jogar: Neto, Nelinho, Keka I (Carlos Alberto Clemente) e Edison Roberto. Participavam ainda da pelada, dentre outros os atletas: Aguinaldo Mota, Amauri Pinto, Bico Fedorento, Juju, Lourinho, Lula Mota, Marchante, Marcílio Soares, Raimundo Lira, Roberto Cabral, Silvestre do Banco do Nordeste, Simplício, Tonheca, Wado Agra, Zalderon e Zildo.
 Já no inicio do ano de 1977, alguns atletas insatisfeitos com a metodologia reinante na pelada, resolveram sair do Clube Campestre e procurar um novo local para a prática do esporte com uma nova dinâmica. Assim é que, em Março daquele ano, numa reunião na Faculdade de Administração da FURNE (hoje UEPB), foi criada oficialmente a Associação Atlética Bola de Ouro. Esse nome sugerido pelo atleta Marcílio Soares, se inspirou na revista Placar que premiava os jogadores profissionais com o troféu Bola de Ouro e/ou Bola de Prata.
 Partindo de uma iniciativa dos atletas Marcílio Soares, Tonheca e Lula Mota, que procuraram o Frei Anésio no Convento Ipuarana em Lagoa Seca, foi conseguido o Campo do Ipuarana como novo local para a prática do esporte.
 Registramos aqui que foram doados por empresários locais, dois padrões de camisa, cada um com 10 (dez) sendo um na cor branca e outro na cor vermelha. Note-se que, como sempre, a posição de goleiro é discriminada, foi necessária uma cota para comprar as camisas dos “pegadores de bola”. O período em Lagoa Seca foi bastante prolongado. Eu diria que foi a consolidação da Associação.

No Convento Ipuarana, criou-se o estigma da camisa 15: Havia um atleta de nome BICO que transpirava um odor insuportável. Então os colegas separaram a camisa de número 15 para ser de exclusividade daquele atleta. Acontece que, mesmo quando da inauguração de novo material, quem vestisse a camisa de número 15 sentia o odor. Isto perdurou durante muito tempo, mesmo depois do atleta ter saído do racha, indo morar noutra cidade. São associados hoje e iniciaram sua trajetória futebolística no Bola de Ouro, em Lagoa Seca, os seguintes atletas: Adilson, Bigode, Dara, Dércio, Jouberson, Keka II (Renato Lago), Leo, Nanau, Nenêm, Paulo César, Roberto Guarabira, Romildo, Sandoval, Valmir, Wallace e Zé Carlos.
 São também ex-atletas que atuaram em Lagoa Seca: Ademir, Ademilson, Afonso, Aguiar, Aguinaldo Mota, Amaro, Bolinha, Benício, Bico FEDORENTO, Carlinho da Campinense, Carlinho Macaco, Chico -irmão de Macola, Chico “Meu Irmão”, Ciço ( PAINHO ), Clélio Soares, Curura, Erasmo Ribeiro, Ermano, Fernando Cabral, Geraldo Goleiro, Hélio Baiano, Isnaldo, Joadir (falecido), João Rodolfo (falecido), Juju (falecido), Leônidas, Lourinho, Lucélio, Lúcio, Luis Malibu, Lula Mota, Machante, Marcelo, Marcílio, Macola, Miltão, Mimi, Múcio, Nilsão Cadé, Passarinho, Pedro Vepel, Pinheiro, Pombo, Quinha, Ramos, Renato, Roberto Cabral, Roberto Loureiro, Rocha, Ronaldo, Rui, Simplício, Tadeu Bundinha, Tavares, Toinho Buraco, Tonheca, Valdir Ventinha, Wado Agra,Wagner Braga (PT), Wagner Guiné, Walcir, Zalderon, Zé Buraco, Zildo e tantos outros nomes ilustres que agora não me vêm à memória.
 No ano de 1993 os associados resolveram alçar novos vôos e firmaram uma parceria com o Clube dos Engenheiros. Na assinatura desse convênio foi decisiva a participação dos engenheiros: Ademilson Montes, Keka I e Geraldo Magela. Neste episódio não poderíamos deixar de registrar a participação decisiva de Keka II que teve uma atuação, digamos, hercúlea na construção do Campo de Futebol, hoje reduto da Associação Atlética Bola de Ouro. Como forma de reconhecimento pela dedicação constante de Keka II, o Campo foi Batizado com o Nome de João Arruda - Seu Pai -, espaço conhecido popularmente como Arrudão.
 Hoje essa Associação congrega 47 sócios das mais variadas classes: Empresários, Engenheiros, ex- Jogadores Profissionais, Médicos, Funcionários Públicos, Professores, Profissionais Liberais, Representantes Comerciais dentre outros. Plagiando as escolas de samba do Rio de Janeiro, classificaremos os associados como:
 Velha Guarda
Adilson, Bigode, Dara, Dércio, Edison Roberto, Joubérson,Keka I  Carlos (Alberto Clemente ), Keka II ( Renato Lago ), Nanau, Nelinho, Nenêm, Neto, Paulo César, Roberto Guarabira, Romildo, Sandoval, Valmir, Wallace e Zé Carlos.
 Geração Clube dos Engenheiros
Abraão, Adailton, Almeida, Aluízio Calado, Amauri, Anailton, Arqueleau, Cézar, Chiquinho, Claudionor, Dão, Dino, Eliésio, Gari, Genildo, Heliomar, Hugo, João Miguel, Juarez, Juzênio, Leo, Marco Aurélio, Paulinho, Pedrinho, Son, Tito, Thiago, Toinho da Real.
 Registramos aqui um fato insólito que caracteriza a grandeza desse racha. O atleta Chico “Meu Irmão” viajava de Recife para Campina todos os sábados para participar à tarde da pelada. Houve um ano em que ele recebeu o prêmio de assiduidade, que existe para o atleta que não tenha faltado durante o ano.
 O que caracteriza essa Associação são os laços de amizade. Alguns já atingiram a difícil marca de 50 anos. Vale registrar que essa amizade que une todos os atletas, estende-se aos seus familiares. O Bola de Ouro deixou de ser Associação e passou a ser FAMILIA BOLA DE OURO. Para finalizar gostaríamos de parabenizar a todos os associados e desejar que daqui há 40 anos estejamos reunidos comemorando os 80 anos da Família Bola de Ouro.
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