segunda-feira, 30 de setembro de 2013

DE VOLTA PARA A SAUDADE - BAIRRO DO SÃO JOSÉ

POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES

Falar do Bairro do São José, antes de tudo é falar de um povo forte, trabalhador, honesto, que mesmo frente às adversidades, preconceitos e as batalhas diárias, não deixavam de sorrir, se divertir e de demonstrar sua amizade e solidariedade para com seus semelhantes.

Um Bairro, mais de uma centena de pessoas convivendo como irmãos, buscando na união a alegria de viver, forças para seguir em frente, buscando dias melhores, novos horizontes.

Falar do São José é também falar do banco da Praça do Trabalho onde hoje moram muitos dos filhos, netos e bisnetos dos primeiros moradores do Bairro.

Pessoas que continuam firme as suas raízes e que não largam por nada este cantinho de Campina Grande.

Desde a sua fundação, muita gente nasceu, cresceu, viveu e passou pelo bairro. Já outros, buscaram novos rumos para vencer na vida e estão por este imenso País, tentando a sorte. Outros já venceram e voltaram para nossa amada terra, muitos aqui mesmo conseguiram crescer e estão construindo uma vida melhor para si e seus filhos e familiares. Mas certamente todos carregam em si um profundo amor e respeito pelo bairro e por seus moradores e amigos.

A influência da nossa galera no bairro

Se não houvesse a amizade sincera da galera, acredito que a maioria daqueles grupinhos de jovens não teria muita perspectiva de crescimento. A não ser o fato de serem pessoas de família, de terem pais e mães como modelo de vida.  Com aquela orientação de nossos pais e amigos mais velhos que a gente recebia, fomos amadurecendo, colocando nas nossas cabeças que não era só aquilo, que a gente poderia trilhar um caminho melhor. Vimos que tínhamos que estudar progredir, buscar um objetivo maior de vida. Para a maioria da galera, isso foi muito importante porque eramos filhos de família pobre e nossos pais tinham pouca condição financeira.

A integração que o grupo proporcionou entre os jovens e suas famílias foram muito importantes para o bairro. Todos os jovens se conheciam, iam à casa uns dos outros e não havia distância entre eles e os adultos.

No nosso grupo, a maior liderança, a mais expressiva e carismática era a nossa forma de vontade. Ela era muito dinâmica, e tinha o diferencial para a época. Outros também exerciam uma liderança, como capitão do time do Everton, o dono do Bar Cristal (onde bebíamos fiado), que não era do bairro, mas acabou o adotando como seu. Zé Nogueira (presidente do time, por exemplo, era um líder, uma pessoa carismática, simpática e amiga).

Há muitos anos, já eram comuns, os moradores se unirem para lutar por melhorias para o bairro.

Temos inúmeras estórias engraçadas e pitorescas, de pessoas que viveram no bairro do São José, nas décadas passadas. São personagens e fatos que não mais encontram ambiente de reprodução nos dias atuais.

A vida relativamente calma daquela época propiciava às pessoas o preenchimento do seu tempo com conversas, ações e atitudes, nas quais pontilhava o senso de humor, a presença de espírito, a ironia. 

As “rodas de calçada” ou no “banco de praça” eram o cenário ideal de inúmeras estórias contadas e, muitas vezes, vividas. A televisão e a informática definitivamente baniram das nossas dia-a-dia essas conversas e o ambiente para o surgimento de novos personagens.

BAR CRISTAL O POINT DA NOSSA JUVENTUDE

Indiscutivelmente o “point” mais famoso do bairro do São José foi o Bar Cristal, ponto de encontro da galera  nas décadas de 70. No período em que esteve sob o comando de Wamberto Pinto Rocha, o Bar  era bastante animado.

No Bar Cristal nos finais de semana, logo a partir das dez horas começava a chegada dos habituês, aos poucos iam tomando conta das mesas, e por vota do meio-dia não se conseguia mais uma cadeira. Wamberto e seu irmão João  se desdobravam para atender a demanda dos clientes, servido um tira-gosto pra, uma cerveja pra outro, apostados na porrinha.

Depois surgiu o Bar o Bocão. Foi um dos primeiros locais a usar decoração e iluminação próprias das boates, onde a juventude da época podia curtir um “cuba libre” ao som inesquecível dos embalos de sucessos da época. 

Recordo que naquele tempo  paredes internas do bar eram revestidas com esteiras feitas de fibra do tronco de bananeiras, o que associado a uma iluminação luz negra, dava aspecto agradável, tranqüilo e ao mesmo tempo romântico ao local.

Em dias de festas – natal, ano-novo, São José, jogos e vitorias do Everton, a movimentação se tornava intensa.. Só tive  conhecimento de apenas um incidente ocorrido daquele Bar (um vagabundo de fora) mas não com a  entre a juventude freqüentadora. 

É verdade que naqueles tempos de grana curta, não se podia exagerar, mas sempre se arranjava um jeitinho de curtir um final de tarde naquele que era o melhor ambiente da cidade: o “Bar Cristal” da nossa  juventude.

São figuras que agregavam uma série de detalhes de personalidade que poderiam constar como personagens de muitos livros. Todos eles são de uma riqueza que as gerações atuais não fazem a menor idéia. Numa mesma época, o bairro do São José foi repleto de pessoas ilustres, inteligentes, literatos, historiadores, grandes atletas, críticos, poliglotas, questionadores, vadios etc.

E o mais grave e triste: estão volatilizando os últimos vestígios desta verdadeira seleção, com o natural desaparecimento desses personagens e daqueles que conviveram com eles.

Eram tempos felizes, nos quais as pessoas viviam com mais espontaneidade, encontrando satisfação nas coisas simples do cotidiano.

Aliás, esta tradição de ser um povo espirituoso, ter sempre uma resposta pronta, é antiga.


Tinha pessoas de aguçada inteligência, memória privilegiada e grande senso de humor, tinha sempre um prato feito para animar qualquer reunião. A estas qualidades já citadas, acrescente-se o grande dom de contar estórias, dando-lhes um sabor todo especial.

 FOTOS DE NOSSA JUVENTUDE DE ANTIGAMENTE:












 



                              UALA, JOBEDIS, NALDO, HERMANI, MARIBONDE E LULA


Na foto: Sassá, Sabará, Fernando Canguru, Marcos Katita, Roosevelt, Seu Iracy, no Pandeiro Joza, Nei, Pedro sandum Seu Futenta, Nego Luca, Martinho e Glauco Kardec






quinta-feira, 26 de setembro de 2013

CONTE SUA HISTÓRIA - VILA VELHA

 POR : JOSÉ TADEU MELO


Sua historia:Transcorria o ano de 1975 éramos na sua maioria, alunos concluintes do 3º ano cientifico do Colégio Estadual da Prata (O Gigantão), a idade de todos variava entre 18 e 20 anos, nasceu a idéia de formamos um time de pelada, naquela época descalço, escolhemos as cores – amarela e azul- no primeiro momento as duas equipes primeiro e segundo quadro, basicamente formada por moradores dos arredores da vila popular existente em frente ao Colégio Estadual de José Pinheiro, de onde a maioria dos atletas era egressa.

FUNDADORES: TADEU, ADALBERTO GARCIA, ISNALDO CANDIDO, ENEDINO FERREIRA FILHO, LULA CARECA, MARCOS TATU e OUTROS COLEGAS.

Foi-se gradativamente incorporando outros membros aos já existentes, tinha-se como um dos elementos intrínseco e condição para se admitir estes atletas ser estudantes, não era imposição, todavia, dava-se essa conotação em face das amizades que conseguíamos tanto no Colégio Estadual José Pinheiro quanto no Colégio Anita Cabral.

Tivemos inúmeras glorias e conquistas memoráveis, delas podem-se destacar a sempre bem sucedida participação, em campeonatos tais como o CASTELÃO, que congregava equipes dos bairros de Monte Castelo, Zé Pinheiro e Santo Antonio, isto muito bem organizado pelo nosso amigo CHUMBÃO, que pertencia à equipe do PARANÁ FUTEBO CLUBE. Tivemos também participações importantes no famoso torneio da independência que era patrocinado pelo BOTAFOGO do Jeremias. Nos torneios organizados pelo Democrata do Cruzeiro, do Guarani do Alto Branco, do Ipelsa de Bodocongó e tantos outros. 

ALGUMAS FOTOS DE ANTIGOS TIMES DO VILA VELHA




O VILA VELHA cerrou suas portas em meados do ano de 1983, ver-se que da sua data de fundação ao ano de 1983, passara-se aproximadamente oito anos, tempo em que a maioria de seus membros fundadores já havia concluído seus cursos superior e tiveram que ausentar-se de Campina Grande em busca de empregos.

Não podemos esquecer a colaboração efetiva e preponderante daquelas que conduziram nossa agremiação ao longo destes quase oito anos. Sem querer pinçar este ou aquele atleta, mais para prestarmos homenagem aqueles que desde o inicio entenderam e lavaram adiante o lema principal que era o de estudar, mantermos unidos e fazer amizades. As amizades dentro e fora do grupo foram imensas, a maioria delas mantidas até hoje.

Estaríamos negando a importância que teve cada um dos atletas, que ao longo da história desta agremiação, deram sua contribuição para o engrandecimento do esporte amador de nossa cidade. Se não prestássemos aqui e neste momento uma justa homenagem aqueles atletas que já não fazem parte de nosso convívio, e prematuramente foram chamadas para o oriente eterno. Alcides Pereira Leal (TEJO), Marcelino Clementino (SULA), CLOVIS Agra Brandão (professor CLOVIS), Severino Batista (ISTIKIM), José Joventino (ZÉ DE JUVO) e BICÃO.

Devemos até por dever de agradecimento enumerar os colegas que absolveram aquela idéia primeira e conseguiram seu curso de graduação, com as escusas de um eventual esquecimento, segue a relação sem, contudo obedecer qualquer ordem cronológica: Juarez Lourenço, Luiz Adelino, Francisco Aziz, José Tadeu, Adeilton Malaquias, Ariosvaldo Adelino, Rainaldo(Nanau), Gutemberg(Beguinha), Isnaldo Candido(Naldo), Edval Alves de Sousa(Vavá), Clovis Agra Brandão, Enedino Ferreira Filho(Nino), Edson Ribeiro(Bubú), Edvan Ferreira, José Lourenço(Dedé)......

Na certeza de ter dado sua colaboração para o engrandecimento do futebol de pelada de Campina Grande, formando homens e, sobretudo, adquirido grandes amizades, o VILLA VELHA deixou marcante seu valor nas sempre elogiosas palavras ainda hoje recebidas dos inúmeros peladeiros daquela época.

Aos dezoito dias do mês de maio do ano de dois mil e dez.             

Escrito por um dos seus fundadores.

sábado, 21 de setembro de 2013

QUEM ERA CRAQUE - HUMBERTO MOTA

POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES

O Museu Virtual do Esporte de Campina Grande continuará resgatando a bela história do futebol campinense do passado de glórias e conquistas e de grandes jogadores que se destacaram e deixaram seus nomes gravados nos clubes que defenderam.
O futebol de pelada do passado de Campina Grande, sem dúvida, desde muitos anos, era um importante e interminável fonte de valores e celeiro de craques, essa parte histórica de “Rainha da Borborema sempre deu sua partícula significativa na nossa crescente evolução.
No futebol de pelada especialmente, dali sempre surgiu muitas qualidades. Os torcedores mais antigos devem recordar, por exemplo, de jogadores épicos, como os irmãos Betinho e Humberto Mota (o nosso personagem desta semana), e vários outros já aqui citados e homenageados. Todos, sem exceção, produzidos pelo velho e magnífico futebol de peladas das antigas.
Humberto, cujo nome de batismo é Humberto Carlos da Mota, foi craque consagrado, daqueles que até hoje e sempre citado por desportista do futebol campinense. O inicio da carreira de Humberto Motta deu seus primeiros passos no time de futebol fundado pelo seu pai Elias Mota (foto abaixo):

O Guarani que jogava em um campo perto do antigo Curtume dos Mota ao lado do Açude Velho. No Guarani Humberto jogou com maestria e incrível categoria, nas muitas vezes em que vestiu a camisa do time, em jogos amistosos. O Guarani foi um dos pioneiros times de futebol de pelada de nossa cidade na criação de espaços para que seus jovens tivessem melhores condições de aprimoramento na arte de jogar bola.
Humberto já então jogava futebol em nível elevado. Um grande meia - esquerda. Era o tipo camisa 10 clássico, jogador de muita habilidade e de técnica refinada, sabia armar bem as jogadas como poucos no futebol campinense,   além de ser líder em campo.
Ele era realmente um jogador de criação com grande visão de jogo, bom passe e facilidade em conduzir a bola. Este era o histórico de Humberto junto aos torcedores.
Depois foi chamado para jogar nas categorias de base do Treze, (era comum os times campinenses enviarem alguns de seus diretores para fazerem observações e, se possível fosse, contratar aqueles jogadores que mais se destacassem, ou pelo menos alguns deles). Conforme foto abaixo:
Humberto participou com este grupo de atletas de uma série de jogos amistosos pelo Trezinho programados pelos diretores do Treze, que serviram para dar mostras do que seria num futuro bem próximo aquele punhado de craques em formação. É claro que acabou vingando. Era muita qualidade junta, tinha que produzir resultados favoráveis, a bem do futebol de Campina Grande.
Com a volta do Campinense ao futebol profissional, um diretor rubro negro tratou de informar-se detalhadamente de como proceder para trazer alguns craques do Trezinho para o time preto e vermelho. Como fazer, e a quem procurar foi uma questão de tempo. A maioria de atletas do Trezinho receberam o convite para jogar no Raposinha (no começo da década de sessenta, todos eles provenientes de uma  safra venturosa, entre outros, seu irmão Betinho, Vado Agra,  Juju, o Goleiro Delgado, Cyl, Nilton Sinval,  Macola entre outros).

A afetividade de Humberto no Campinense em relação à sua terra e por conseqüência ao futebol de Campina Grande era tão profunda, que ele, mesmo era sempre chamado para jogar no time de profisionais do Campinense. 
Por suas grandes apresentações foi convocado para jogar numa seleção de Campina Grande mesclados com alguns profissionais que disputaram um jogo contra a Portuguesa carioca que excursionada pelo Nordeste e jogava alguns amistosos pelo Brasil.  (conforme fotos abaixo):

O que mais impressionava em Humberto era a regularidade. Ele sempre mantinha um nível de atuação absolutamente igual! Jogava muitíssimo bem e sempre! 
Jamais deixou de estar disposto a servir ao time profissional do Campinense Clube. Pelo Campinense amador foi tri campeão da cidade e fez parte daquela equipe da  raposa que foi  hexa campeão da cidade, se destacando com muitos passes para os gols e jogadas bonitas.
Humberto Mota se formou em administração de Empresas e deixou o futebol, mesmo não exercendo maiores tarefas dentro das quatro linhas, fora dos campos, direta ou indiretamente, os irmãos Mota (Humberto e Betinho) sempre deram contribuições valiosas ao futebol de Campina Grande. São todos, por conseqüência, pessoas ilustres e finíssimas!
Foi extremamente gratificante relembrar um dos maiores meia esquerda produzidos em Campina Grande em todos os tempos! A exemplo da crônica anterior ao seu irmão Betinho  quero dedicar à família Mota, de quem sempre fui amigo, esta sincera homenagem que presto a um dos seus mais honrados e dignos representantes.

Algumas fotos do grande Humberto no seu tempo de atleta:~


 
 




quinta-feira, 19 de setembro de 2013

ENCONTRO COM DESPORTISTAS DO PASSADO

POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES

Há pessoas que tem o dom natural de nos cativar. Mesmo que tenhamos com elas um único encontro, este se tornou marcante e inesquecível. Passaram-se poucas horas deste encontro, e me lembro de cada detalhe, das nossas conversas e alguns causos acontecidos no seu tempo de atleta nos campos de pelada de Campina Grande do passado.

Por que isso acontece? Nunca consegui entender e nem explicar. Mas acontece. Tive inúmeras experiências do tipo, em que fui cativado por pessoas especiais, inteligentes, amáveis e prestativas, mas, principalmente carismáticas. Sinto-me privilegiado pela oportunidade de viver essas experiências que, sempre que surgem oportunidades, faço questão de partilhar com os que me honram com sua leitura.

Uma dessas pessoas cativantes, com a qual mantive um único, porém marcante, encontro, e que tenho satisfação particular de citar sempre que aparece pretexto para isso, é o ex jogador de futebol do passado de nossa cidade o Waldevan (foto) hoje grande advogado e agropecuarista em Brasília.


Aqui no Museu lhe fiz uma merecida homenagem recentemente, a seu respeito, neste mesmo espaço, e deixei, na ocasião, muita coisa no ar, a propósito do nosso (felizmente para mim) em decorrência da limitação de espaço e de outras informações de suas atividades esportivas. Foi uma conversa que deveria ter durado, no máximo,uma hora, mas se prolongou por toda a tarde,e ele não estava preoculpado nos seu  trabalho e no seu mundo de negócio porque sabe que qundo se ausenta,  seus filhos tomam conta dos negócios da família.

No nosso encontro em um restaurantes de nossa cidade ao lado de outros ex jogadores João Mario e Macola) e os desportistas (o ex supervisor  Zé Santos e Jair Ferreira Filho) além da esposa de joão Mario conforme foto abaixo:

Tivemos tempo suficiente para fazer uma boa conversa em forma de estreitarmos nossa amizade e também uma forma do Waldevan agradecer ao Museu sua merecida homenagem (que era o objetivo daquele contato), mas que se estendeu, sem exagero, por cinco horas. 

Não me importei nem um pouco em ter que adiar compromissos inadiáveis. Pareceu-me que Waldevam  também não se importou. Pelo menos, presumo que não. Foi à impressão que ele me passou.

Waldevan mostrou-se sumamente solícito e receptivo. Não fugiu de nenhuma pergunta mesmo as mais indiscretas  e impertinentes. Respondeu a todas, com clareza, inteligência e bom humor. 

Não tardou para que o assunto se desviasse do foco original, e nosso encontro se transformasse em conversa amigável de pessoas que passaram a se gostar (e de cara, logo no primeiro encontro). Falamos praticamente de tudo: de causos, histórias, fofocas do passado e principalmente de futebol.

Finalmente me lembro cada detalhe deste encontro de futebolistas do passado de nossa cidade, as piadas que contou os vários causos e história que ele nos relatou e vai por aí afora.

Ao nos despedirmos, com promessas mútuas de novas conversas, meu amigo insistiu num ponto, que havia repetido por e mail,  que nosso próximo encontro fosse a sua fazenda nos arredores de Brasília, mas claro que lhe prometi isso sem pestanejar. 

O nosso encontro permanece vivo, vivíssimo, com seu modo cativante e sua maneira bem-humorada de encarar a vida, de contar causos engraçados ou de comentar os acontecimentos do dia a dia. Para mim, foi uma honra conhecer um paraibano do cariri paraibano que foi e venceu em Brasília, e também por exercer com maestria a rara arte de cativar.

Outras fotos do nosso encontro:







quarta-feira, 18 de setembro de 2013

GRANDE ATLETA E DESPORTISTA DO PASSADO - NEGO ROBERTO

POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES


Tímido na aparência, franzino, poucas palavras, forte nas ações, veio lá um belo dia de longínquas terras para morar e tentar um emprego em Campina Grande. Se estabeleceu junto com seus familiares na Comunidade da Rua São Joaquim no Bairro do São José na década de 40. Os membros de sua família tentava emprego na cidade a quem quisesse e tivesse coragem de enfrentar o "batente pesado", trabalho duro no ramo do algodão, afinal, Campina Grande no ciclo do algodão crescia a "olhos vistos".

Garra não faltava ao homenageado de hoje, o Paulo Roberto de Sousa que poucos ou quase ninguém conhecia pelo nome de batismo, mas que pelo apelido de "Nego Roberto" era logo reconhecido, pois carregou por longo tempo, time seu time "do coração” o Grêmio da Comunidade São Joaquim nos gramados locais, quando ainda existia o campo do Bacião, no leito seco do antigo Açude Novo, hoje Praça Evaldo Cruz.

Nego Roberto na sua juventude queria ser jogador de futebol profissional. Quando surgiu uma oportunidade no pequeno Paulistano. As dificuldades só aumentavam pois o clube passava por dificuldades financeiras, e o sonho de ser jogador ficava cada vez mais longe. Com muitas promessas não cumpridas no mundo do futebol, aos 24 anos começou a trabalhar como ajudante de sapateiro, consertando sapatos, sandália e bolas de futebol.

O Nego Roberto além de ser sapateiro era um festeiro nato, sempre promovia grandes festivais de memoráveis disputas de futebol de pelada de nossa cidade, onde seu reduto das competições era realmente no “Bacião”, um campo conhecido por todos da nossa cidade e região, de dimensões quase oficiais, que quem corresse 90 minutos sairia exaurido do campo, meio gramado e meio "careca", o Campo do Bacião do Grêmio do São José como era chamado. Tem alguns remanescentes desse tempo do time morando em nossa cidade.

Nesse campo "era sempre domingo de festas", sim, no plural, pois juntavam vários torcedorese o Nego Roberto sempre tinha uma surpresa e presepadas para mostrar na formação no primeiro quadro, pois nesse tempo havia também o segundo quadro, molecada nova da Comunidade da São Joaquim e pretendentes a vaga de aspirantes ao time principal. 


"Nego Roberto" montou também na comunidade onde era o líder uma escola de samba para desfilar nos antigos carnavais de nossa cidade, que levava o nome de “Unidos do Morro” , com sede na Rua São Joaquim. 

Apesar de ser presidente, ele também exercia o papel de técnico do time, pois em todas as partidas do segundo quadro ficava as margens do campo torcendo e orientando seus jogadores. 

Ele sonhava em ver o crescimento do futebol, o de lazer e prestava um trabalho social importante para sua comunidade da São Joaquim por meio do esporte, afastando muitas crianças, jovens e adolescentes do mundo das drogas por meio do esporte. 

No meio da rua antecedendo o carnaval tinha os ensaios da escola de samba, promovia-se, por iniciativa do “Nego Roberto”, todos os anos, o baile e a tão esperada festa de premiação da escola que disputavam a preferência dos craques que formavam nas fileiras da banda e do time.

Nos dias de jogos os jogadores seguiam a pé da Comunidade em Direção ao Campo do “Bacião”, entoando hino ao "clube" atravessando a pé até o campo depois, naquele tempo uma rua de casase streitas e empoeirada. Evidente que havia toda uma estrutura bem organizada em volta do presidente “Nego Roberto! com suas "vestimentas psicodélicas” nas grandes apresentações do time. 

Segundo boatos mas não é certeza o desaparecido atleta, o faz tudo da Comunidade partiu para o céu, acho que Deus queria um festeiro para promover algum festival de futebol e lembrou-se do “ Nego Roberto”. 

Se não for verdade de seu falecimento aproveito para mandar meu abraço de agradecimento de tudo que ele fez na sua comunidade.





















segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O FUTEBOL DE PELADA PEDE SOCORRO

POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES

A cada ano que passa,  vemos as áreas de lazer de Campina Grande sumirem e junto com elas os campos de futebol de pelada de nossa cidade.

Quantos passeios fizemos aos bairros distantes do nosso para lá disputar uma partida, um torneio, ou mesmo só para assistir aos grandes craques da várzea? Quantos domingos, sábados e feriados passamos nestes espaços curtindo as virtudes e defeitos de grandes craques e pernas de pau de plantão?

As área mais degradadas da nossa cidade já foram  aa mais efervescente esportivamente. Todas os bairros e comunidade timham nos campinhos uma forma de  lazer que infelizmente se extinguiram e perderam seu dinamismo.

Os campos de futebol de pelada  que existiam aos montes em nossa cidade simplesmente desapareceram. Em sua maioria deram lugar a conjuntos habitacionais, construídos sem a menor infra-estrutura de lazer.

A cada conjuntos habitacionais erguido perdíamos um campo de pelada, ou até mesmo mais de um. Espaços de compartilhamento, solidariedade e lazer, simplesmente desapareceram.

Só na área do bairro da Liberdade, posso lembrar de pelo varios campos: O campo do Botafogo, Comercio, Auto Esporte, Oriente, Flay Back entre outros. Ficaram os pequenos e descartáveis campos de futebol soçaity, bem menores e, muito pior do que isso, para jogar tem de pagar.

o maior bairro de Campina Grande as Malvinas, oito campos de futebol de pelada serão tomados pela construção civil, isso significa que boa parte dos atletas de fim de semana ficaram sem praticar seu esporte favorito, sem falar nos comerciantes que aproveitam com a realização desses jogos de pelada para complementar sua renda familiar. Então entendemos que todos nós cidadãos perdemos com isso.

O futebol de pelada de nossa cidade de hoje é o retrato de um passado distante. Outrora eram comuns vários campinhos de terra espalhados pelos quatro cantos da cidade. Campo de terra batida, sem alambrado, bola indo pro meio do mato e jogadores atuando descalços.

O progresso chegou, as construções foram ocupando estes espaços, que aos poucos foram extintos. Hoje é difícil encontrar um “pedaço” de terra para a garotada correr atrás da bola. Quem quiser mesmo é só nos campos de alguns clube, particulares  ou um pertencente ao município no Complexo Plinio Lemos.

Não é de hoje que o futebol de pelada “mexia” com os antigos desportistas e atletas de nossa cidade. Com algum clube dos bairros e comunidades, sempre montando equipes para disputar partidas, torneios e os campeonatos promovidos pela Liga Campinense de futebol.  Mas o futebol de pelada de nossa cidade do passado deixou saudades e Lorão também teve o seu “momento jogador”, época que era um zagueiro que chegava junto e levantava poeira.  Recordo dos grandes duelos que travei contra o Lerão, antigo beque central de quase dois metros de comprimento do time do Comercio da Liberdade, um marcador que não tinha moleza e bola perdida.

Por isso fazemos um apelo ao nosso Prefeito e ao secretario de esporte de Campina Grande que eles olhem com mais atenção para o futebol amador, pois foi do futebol amador que surgiram muitos dos craques de futebol da nossa cidade.

Para matar saudade, aí vão alguns times de nossa cidade que deixaram saudades: