sábado, 27 de agosto de 2011

História do Paulistano


POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES

Façamos uma viagem ao passado, parando no ano de 1929, quando Campina Grande  despontava como importante centro exportador de algodão e produtor de vários sub-produto deste  valioso produto, cujos caminhões e burros tantas vezes ornamentaram as ruas desta cidade,  número notável aqui chegavam, no vai e vem para os inúmeros  depósitos que aqui existiam. Como não poderia deixar de ser, um momento de tanta euforia e riqueza Até então, Campina Grande contava com o Treze como destaque e outras equipes amadoras, como o Ipiranga, Humaitá entre outras.

O Paulistano Esporte Clube foi fundado no dia 25 de novembro de 1929. Tudo começou quando jovens que moravam perto da linha de trem se reuniam para disputar partidas de futebol contra os times de outros bairros. Como a cada dia ia ganhando forma de clube de futebol, seus fundadores decidiram registrar a equipe,  para poder disputar o campeonato que existia no município.

O nome

O nome da nova agremiação teve origem a uma  homenagem a um clube paulista na década de 20, que excursionou pela Europa e conseguiu bons resultados, era o time do lendário Friedenreich (O Paulistano era o "bicho-papão" do início do século. Jogar contra o time de Friedenreich era um orgulho, e o time ia freqüentemente ao interior atendendo a convites. Também foi a primeira equipe a fazer uma excursão à Europa, em 1925).

A sua sede inicial era nas proximidades do antigo Cine Babilônia, na década de 40. Depois foi transferida para o bairro de São José, localizada à Rua Major Belmiro.

Seu Uniforme e emblema

 O Paulistano  teve o seu uniforme oficial, que era camisa e calção todo  branco, tendo ao lado esquerdo o distintivo que era uma letra PEC.  Esse uniforme foi usado durante toda sua vida.

O primeiro campo de futebol do Paulistano

Foi o campo das Beatas e ficava as margens da linha do trem em terreno onde funcionava a desativada SANBRA. A mudança para a Avenida Assis Chateaubriand na Liberdade, aconteceu na década de 50, depois que a diretoria da época negociou a venda do primeiro campo para a SANBRA com a intermediação do prefeito da época, o Dr. Elpídio de Almeida.

Paulistano X Treze primeira grande rivalidade do futebol de Campina Grande

Enganam-se muitos que pensam que o tradicional clássico Treze x Campinense  é o mais antigo do futebol de Campina Grande, afinal é um dos maiores do nosso futebol onde sempre temos casa cheia, jogos terminados em confusões, brigas entre jogadores e dirigentes onde até torcedores desses jogos foram presos e foram terminar numa delegacia de policia. Pois bem o Treze x Campinense  só passou a ter a rivalidade levada aos extremos nos anos 50 quando o Campinense  voltou a se dedicar ao futebol e a ganhar títulos e a ser um ferrenho adversário do Treze.  Antes mesmo do Treze ter o Campinense  como maior rival,  o mesmo teve no Paulistano  seu maior rival de 1937 quando ressurgiu  o Treze (que tinha acabado suas atividades no futebol)  passando a dividir com o Paulistano  a posse do nosso futebol, durante o final da década de 40 e até a finais da década de 50 o jogo entre Paulistano e Treze era comparado ao Fla-Flu do Rio de Janeiro.

Curiosidade

Houve a uma partida no dia 24 de outubro de 1937, jogavam Treze e Paulistano. O local da partida era no "Campo das Beatas", assim chamado por estar próximo à "Casa de Caridade Padre Ibiapina", instituição cujo prédio foi demolido em 1961 e estava localizada próxima à antiga SANBRA. O clube patativa vencia por 1 x 0 e o Treze buscava o tento de empate a todo custo. De repente, o Paulistano contra-atacou e seu ponteiro só foi parado com falta próxima da grande área, imediatamente marcada pelo juiz. Tibúrcio era o arqueiro galista (seu filho, Jael, seria arqueiro do alvinegro no ano de 1950).   Tendo posicionado a barreira, eis que o árbitro determinou a cobrança. O jogador adversário desferiu um petardo para dentro da meta. Porém, o que todos viram foi a bola já saindo por trás do gol. O juiz, assim, marcou tiro-de-meta. Ocorre que os tempos eram outros. Ao receber a bola de um espectador, o goleiro alvinegro a entregou ao mediador da partida. - "Seu juiz" - disse Tibúrcio - "A bola foi gol!". O árbitro não acreditou no que estava ouvindo. Foi preciso que Tibúrcio repetisse o que dissera. E mais: ainda foi até a rede e mostrou o buraco que a bola fizera e, conseqüentemente, por onde passara.

Ao contrário do que possa ser pensado hoje, Tibúrcio recebeu os parabéns tanto dos companheiros de clube como dos adversários, admirados com a honestidade daquele atleta. E o árbitro, surpreso com aquela atitude, disse que jamais, em toda a sua

vida de juiz de futebol, vira cena tão inusitada: ele não marcara o gol; o goleiro dissera que o tento acontecera e, o mais incrível, fora cumprimentado pelo seu gesto tanto pelos companheiros como pelos adversários.

O Treze perdeu este jogo por 2 x 0. Contudo, esta atitude de Tibúrcio, um verdadeiro gentleman, acabou entrando para a história do esporte de nossa cidade sendo, tempos depois, contada na coluna esportiva "O Futebol de Campina", escrita por Amaury Capiba e publicada no Jornal da Paraíba, na primeira metade dos anos 70.

Dados deste jogo histórico:
Treze 1x3 Paulistano
Data: 24/11/1937
Local: Campina Grande-PB
Celeiro de craques: 

Entre os quais: o zagueiro Uray, Adautinho, Corró, Zé Preto, Lucas, Sandoval, Sabará, Cido, Mivaldo, Nilson Camilo, Lelé, Tonho Zeca, Zé de Iracema,  Ercílio (depois jogou vários anos no Treze) Assis Cará e outros tantos.


Uma das primeiras equipes do Paulistano


         Uma das primeiras equipes do paulistano 



Fontes Utilizadas:

-Livro dos 50 anos do Treze Futebol Clube do Pro.Mario Vinicius
-Depoimentos de ex-atletas e dirigentes
Materia já Publicada no site Retalhos Historicos de C. Grande







7 comentários:

Roberto Almeida disse...

Jobão

ESTOU AQUI HOJE PELA PRIMEIRA VEZ, PARA DA OS PARABÉNS PELO SEU SITE QUE É CAMPEÃO COM era o nosso time.

Manoel salustiano disse...

Eu não o conheço pessoalmente, mas acessando o RHCG vi umas historias sobre o amadorismo da cidade do passado, parabéns sr. Jobedis pelo trabalho desenvolvido em pról do esporte campinense, vejo que o senhor é uma pessoa integra, humilde e comprometida com aquilo que se dispos a fazer, parabéns. E graças ao site RHCG pude encontar uma foto de um antigo time que joguei na minha juventude o Olaria do Catolé. time que eu jogava na época, foi muito bom rever aquela foto e relembrar dos amigos do passado.
abraços

Manoel salustiano (Mane´Salú)

Cicero Galdino Soares disse...

Jobedis

Parabens pelo bonito trabalho. bela homenagem ao querido time Patativa de Campina Grande. Eu ainda éra menino quando assistia ao time do paulistano todo branco dar um calor nos times do Treze e do Campinense , tinha apenas uns 15 anos por ai ,mas não me esqueço da maravilhosas partidas no time e de grandes jogadores que ficaram em minha memória e jamais vou esquece-los, Zé Preto, Tonho Zeca, Nego Robeto, Sabara, Nego Nilson Camilo e muitos outros ..

Katia Celene disse...

Caro amigo Jobedis, é surpreendente como a história do Paulistano me deu uma saudade danada dai de Campina Grande,fui lendo e as lagrimas escorrendo dos meus olhos de alegria e de tristeza.. Alegria das recordações da minha infancia, dos jogadores citados, dos grandes classicos contra o meu Treze e o Campinense...aí que saudades....,gente que lembrança boa eu senti..pois meu pai era um dos torcedores do time do Paulistano... Agora tristeza por não ter mais este meu paizinho comigo... Obrigada meu amigo pela doce lembrança... abraços

Katia Celene

Carlos Alves de Melo disse...

Amigo Jobedis

Que memória formidável a sua, Ctudo o que vc. expôs, e todos os jogadores mencionados, lembro todos eles. Que saudade que dá nas ótimas partidas deste time de antigamente e parabens pelo Museu do Esporte amador de Campina Grande, a cidade ja merecia.

Carlos Alves de Melo

Mario Luna Freire disse...

Jobedis vc era um Craque na bola, craque na vida e agora craque na escrita. Como jogador vc Detonava os adversários.Jogador valente e brabo,raro hj em dia. Um dos melhores( ou o melhor) comentarista de futebol que temos o prazer de ler aqui em Campina Grande, sempre com colunas equilibradas que morde e assopra quando necessário. Procuro entender seu afastamento do Portal Agora Esportes. Sinto sua falta e das suas cronicas. Demonstrações de reconhecimento por ótimos serviços prestados fazem bem à alma. Obrigado ao meu amigo Jobedis que me fêz a bela historia do Esporte amador de minha querida Campina Grande.

Jurayanne Dantas disse...

Jobão... como é bom ver o reconhecimento dessa grande ideia que esta sendo realizada pelo senhor. Os contemporâneos relembram e as outras gerações passam a conhecer. PARABÉNS

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