segunda-feira, 4 de novembro de 2013

MEMÓRIAS E HISTÓRIAS DO FUTEBOL DO BAIRRO DO SÃO JOSÉ

POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES

Estamos mais uma vez a dividir lembranças de um passado que nos orgulha e que nos deixa cheio de saudades. Optei, nesta postagem, entrar por uma seara que não sou muito craque (que é contar causos e histórias), mas que carrego boas e saudáveis recordações: O futebol do bairro do São José.  

Cresci e joguei por muitos anos no time do Everton Esporte Clube quando este vivia no auge. Frequentei por muitos anos o Bar Cristal que foi por muito tempo o ‘point’ da juventude do bairro.

Joguei e presenciei clássicos de futebol de pelada, vendo as jogadas de: Jorio, Zé Soares, Ribeirinho, Gorila (Luizinho Bola Cheia), Naninho, Sabará, Nego Roberto, Nego Gilson, Geraldo, Simonal, Gil Silva, Lulu, Tonheca, Irapuan, Valdir Ventinha, Chininha Chico Cateta, Raul de Melo, Fernando Canguru, Son, Nenê, Valdinho Carapuça, Uala, Son, Amigo da Onça, João Batista e Gago (goleiros de primeiras), e tantos outros.

O maior de todos os jogadores do bairro

A escolha do craque de todos os tempos do bairro do São José pode gerar controvérsias, mas que os nossos piores jogadores são incontroversos e a lista é imensa. Até eles concordam.

Jogadores que até que tentaram: Zé Firmino, Roberto Pai das Nega, Tadeu Guedes, Maneca, Ricardo Zome, Albertinho Limonta, Marcos Katita, Iran, Gilson Doido, Glorival, Ivaldo, Sassá (foto), Cachepinha, Epitácio Soares, Zé Menezes, Tonhão, Nego Biu, Odon, Apolônio, Nego Rona, Euclides, Oberdan, Pai Vei, Nego do Oião entre outros “jogadores”. Trata-se de lista que é quase uma unanimidade, que até o “grande técnico “ Fuba Véi  chamaria de “inteligentre”.

Causos e histórias do futebol do bairro

Decerto, não sou a pessoa certa para deitar falação sobre o assunto, mormente quando se tem por perto José Cosme,  o Sabará, Nego Gilson, o matraca Maribondo,  Antonio Gomes o Mestre e outros  peladeiros das antigas do bairro do São José. A eles, de todo coração, dedico a mais absoluta e salutar saudade, nomeadamente, pela qualidade de vida que tiveram. Entre eles, destaco o “cantador de causos mor” -  Raul de Melo

Algumas histórias do Raul no bairro do São José

Deleitei-me com o futebol e os causo do ‘Raul’, meio-campista que jogava mais descalço do que de chuteiras, com os seus 16 anos já dava o elástico do com os dois pés. Se não fossem as biritas, garanto-lhes que chegaria à qualquer time de profissionais. Jogava bailhando pelo meio do campo com um futebol bonito de se ver e de alta precisão. Ninguém tomava a bola dele e, com ela nos pés, botava-a onde queria. Logo que chegava era o primeiro ser escolhido nas peladas no par ou ímpar... Nas peladas do bairro jogava pelas laterais do campo, prendia a bola, quase sempre a passava de primeira e à feição dos companheiros, colocando-os na cara do gol.

Outras histórias e causos do 

·      Uma vez estávamos tomando umas cerveja em um bar na rua Odon Bezerra na Liberdade, quando  passou uma mulher muito bonita e gostosa. Mas gostosa mesmo. Dessas que todo o bar dá uma pausa na cerveja e nos tira–gostos e acompanha até o lado da rua. Era tão gostosa que ninguém esboçou nenhum comentário, todos boquiabertos. Mas nosso amigo Raul de Melo, após acompanhar com o olhar, o coração e um frenesi que devia estar percorrendo sua espinha, disse o que todo o bar pensava: - Por essa mulher eu fazia um seguro! No que eu perguntei: — Seguro de quê Raul? E ele, sem pestanejar: — Seguro contra roubo, incêndio, chifre e o  escambau.

   A emoção - Jogavam num domingo Everton e o XV de Novembro da Palmeira. O Técnico Fuba (foto), embalado pela "emoção" do jogo, cochilava atrás do gol do XV... o atacante do Everton Valdinho, erra o chute, e a bola vai para fora. O auxiliar técnico Nego Amauri pergunta:- Como foi que Vadim perde um gol desse...  pergunta a Fuba?  E Fuba nada de acordar . Após conseguir despertá-lo, ficou sabendo do gol perdido pelo nosso atacante e  estrebuchando disse para o Atacante - Vadim depois que saiu do Everton desaprendeu a jogar não e Vadim???



   Brincadeira Saudável – JONAS Didi (Foto) um dos nossos grandes ex-jogadores tinha um problema auditivo (era mouco). Foi para o  campo onde o  Everton ia jogar uma partida. Quando  chegou, e rumou a um dos locais onde se encontrava Jobedis, Nego Gilson,  Wagner e Tadeu Bundinha.  Chegando lá a turma já estava preparada. Todos conversavam, davam gargalhadas, pediam para Tadeu aumentar o som novo do seu carro e brindavam. Tudo sem emitir um som sequer. Jonas Didi, tentou conversar com alguns deles, via seus lábios em movimento e continuava sem escutar um som sequer. Indignado com a possibilidade de ter ficado mouco de vez perguntou a rapaziadas o seguinte – “Ou vocês estão de brincadeira comigo ou estou mouco”, despediu-se de todos e voltou para sua casa. Chegando lá, verificou que estava escutando normalmente. Deu boas gargalhadas. Voltou e foi ao  bar onde todos biritavam e brindou com todos a brincadeira.

·   Contam que, certa feita, um morador novo, tipo invocado, (Aldemir) participava de uma pelada, quando esbravejou: "Porra meu irmão, assim não dá, estou pedindo jogo há mais de 10 minutos e ninguém me   passa a bola!". Chininha mansa e diplomaticamente, se aproximou do cara e disse: "Meu irmão, tu passaste um mês enjaulado no quartel e isso não é nada? Está aqui por 10 minutos e reclama que  ninguém te passou a bola...", Volta para o quartel!!!!!

PACIÊNCIA DE UM PERU DE JOGO

Em um jogo buraco na sede do Everton, Zé Balbino se  plantou ao lado de um dos jogadores (Fubá) e ficou observando o jogo. A certa altura Fubá já puto da vida pelo Peru falou para ele) 
- Há quatro horas que você está aí em pé, só peruando . Por que não aproveita e joga também? 
- Me adisculpe, Fubinha mas que não tem  a menor paiciência com esse jogo!.

·   Mas, chegando aos finalmentes, vou relembrar o Apolônio Quem se lembra do Apolônio? Aquele ponteiro (I.M) está vivo em minha memória até hoje. O time era o Botafogo da Liberdade. O nosso falecido amigo era um vendedor de peças para carro mas era um boi no campo. Quando lançavam a bola para o Apolônio, a galera começava a gritar: “Vai POPÔ corre POPÔ, vai…vaiiii”, e o ‘negão’ mas parecia um touro enfurecido atrás da bola, Dava uma arrancada só e derrubava quem estava em sua frente. Seu objetivo era a bola.

Quantas saudades daquele tempo. Até hoje, o bairro do São José não conseguiu montar uma equipe do nível do Everton Esporte Clube. Algumas décadas já passaram, isso mesmo, minha vida já pode ser referida em décadas. E, sabiamente, minha memória guardou alguns resquícios de tudo o que pude ver, escutar, jogar,  tocar e experimentar ao longo de minha vida.

Poderia ainda escrever mais alguma coisa sobre o futebol, mas só dei foco àquilo que, com rara exceção, aconteceu até o ano de 1980.



Um comentário:

Anônimo disse...

Fiz parte dessa geração. Tínhamos craque de futebol e de muitas irreverências. Os “causos” acima postados me levaram a uma retrospectivas dos bons momento de antão. Os “atores” inesquecíveis...
Jobedis, você foi muito feliz nessas lembranças.

Vadinho

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