sábado, 7 de abril de 2012

SAUDADES DO FUTEBOL DE PELADA DO PASSADO

POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES


Há algum tempo, em modesta crônica que escrevi para o portal RHCG (Retalhos Históricos de Campina Grande) e neste Museu do Esporte sobre o futebol de pelada de nossa cidade, relatei os bons momentos vividos por todos aqueles que, como eu, tive o privilégio de dele participar.

Para quem não conhecia, principalmente para a juventude de hoje, que muito provavelmente nada sabe acerca dos bons tempos daqueles extraordinários jogadores. Fiquei surpreso com a receptividade da matéria. Imediatamente comecei a receber e-mails, MSN, comentários no site Retalhos e aqui no Museu,  telefonemas de antigos companheiros e de outras figuras do futebol amador de Campina Grande, todos saudosos do amadorismo sadio que existia na nossa cidade. 

Para recordar esses bons tempos vividos e jamais esquecidos, por vezes mantendo contato com amigos e antigos jogadores da época, além de recorrer a um vasto arsenal de fotografias cuidadosamente guardadas na minha casa.

Nem à distância e a poeira do tempo, jamais apagarão de nossas memórias, os amigos fraternos, os lugares por onde passamos e as gratas lembranças do nosso passado como peladeiro. Existiam inúmeras peculiaridades proporcionadas pelo futebol de pelada de antigamente, sendo a sua principal,  o convívio do encontro de amigos à beira do campo (conforme foto)quase sempre debaixo 

                                  Ze Maria, Mano, Ademildo, Pedrão, Turica, e Ze Neto

de uma arvore, uma palhoça ou tenda montada às margens do campo  para a venda de bebidas, picolezeiros e vendedores de din din. Papos do mais diversificados do cotidiano que para muitos foi pesado, o que aliviava  e descarregava toda a sobrecarga da semana. 

Sem querer imprudentemente dizer que vivo do passado, porém nostalgicamente venho trazer minha saudação ao antigo futebol de pelada de Campina Grande a quem devo agradecer pelos conhecimentos, embora empíricos, ofertados. 

Deu-me luz para a solidariedade, a responsabilidade, a sinergia, a cidadania, ao compromisso, a ousadia e respeito ao próximo. Para mim, foi uma viagem de lazer e experiência desfrutada e disputada a cada passo, a cada chute, a cada jogo. 

Cada bairro comportava dezenas de campos de futebol. Uns gramados, outros calvos, com grama só nas beiradas, e a maioria de terra, cheias de pedras mesmo. Quem a viveu nas décadas de 50, 60 e até meados de 70, conheceu a grande época de ouro do futebol de pelada de nossa cidade. Sou desse tempo. Ainda menino, batendo uma bolinha de meia ou de borracha, no meio da rua ou nos campinhos de pelada perto de casa ou no Galpão do Grupo Clementino Procópio, e muitas vezes arrancando a tampa do dedão em uma touceira do campinho. 

Depois, participando de "grandes embates" já com uma bola de borracha de algum garoto de família mais abastada que o presenteara no último natal. “No vira a 5 acaba a 10”, eram clássicos disputados entre as turmas da rua, com trave de dois paus fincados no terreno. 

Depois, vieram os timinhos infantis do bairro. Jogo de camisa surrado ganho de algum time ia definindo as posições dos craques a cada jogo. Os mais brabos na defesa, os com mais habilidades no meio de campo e no ataque, o “ruinzão” no gol e o dono da bola na posição que quisesse. 



Mais tarde, já no Everton nos vem à saudade das viagens abarrotada de jogadores e torcedores para o campo de um bairro ou uma cidade do interior. Quanta emoção ao ver seu nome ou foto estampados no Diário da Borborema numa página exclusiva sobre esporte amador. 

Saudade da velha chuteira conseguida com grande dificuldade, na qual engraxava toda a semana para preservá-la e não raras vezes com impertinentes pregos espetando a sola do pé durante a pelada. 

Saudade da estréia de novo uniforme doado pelo político do bairro. Saudade de beber água direto na torneira ou na bolsa d'água. Saudade de quando se fazia boa partida com um belo gol marcado e à noite no bate papo no Banco da Praça do Trabalho era elogiado pelos colegas.

Não conseguia esconder a máscara: gola da camisa levantada saía para dançar ao som de Ray Conniff nos assustados pela cidade ou na casa das “galegas” comendo jalapa com calo seco, no bairro da Liberdade.

O que dizer da confraternização regada a cervejas geladas após uma partida vem à saudade?

O futebol de pelada de nossa cidade revelou grandes craques. Hoje, perdeu a identidade. Não tem mais brilho e padece grande enfermidade. Está na UTI, perto do fim. A memória coletiva dos peladeiros está se dissipando à medida que nos tornamos veteranos e começamos a falhar em algumas funções e nos falta disposição até para cartolagem. Sua sobrevivência depende da nova geração e das autoridades municipais. 

Existem ainda alguns campos na cidade, entretanto, os jovens que jogam pelos clubes que ainda restam não têm o mínimo compromisso com a sua bandeira. O interesse pelo futebol por parte dos jovens está reduzido e foi substituído pelos jogos eletrônicos. Embora alguns sonhem ser craque um dia, já não tem grandes chances a não ser procurar uma escolinha de futebol. 

Tanta coisa aprendemos  com nosso futebol de pelada e, por isso, rendo minha homenagem dizendo muito obrigado e que ela me perdoe por algumas ações e “expulsões”. Tudo isso me serviu de lição de vida. Você me deu a sabedoria de entender quando estava errado em algumas ocasiões. Deu-me disciplina. 

Tempos que não voltam mais. Quem não viu perdeu um Everton x Botafogo da Liberdade, um Central x Oriente, Estudantes x Textil, Atletico da Prata x Real Campina entre outros grandes clássicos do nosso futebol de pelada do passado e tantos jogos memoráveis que eram discutidos e vividos a cada semana em todos bairros. Eram os tempos de dezenas de outros clubes.

O mercado imobiliário passou o trator em cima e a omissão dos políticos deu a extrema unção. Ficou muito pouco. É uma história parecida com o Carnaval . Foi sepultado.

Obrigado futebol de pelada de nossa cidade, você foi uma escola especial para mim, independente da formação oficial, carrego no peito o seu virtual canudo de formatura social.
Seu ex-aluno

Jobedis Magno

ABAIXO ALGUNS DO MELHORES TIMES DE PELADA DE CAMPINA GRANDE DO PASSADO:






GREMIO DO BACIÃO



ORIENTE DA LIBERDADE 
Na foto Zé Preto e seus irmãos Assis, Nego Vei e Valdecir















15 comentários:

Anônimo disse...

Jobedis,essa narrativa nada mais é do que a trajetória de muitos dos que tiveram o privilegio de nascer naquela época. Dá bola de “borracha” a de plástico. Dá chuteira de sola a de borracha. Dos muitos campinhos improvisados, dos times escolhidos no par ou impar. Ou em duplas que tivessem em níveis de igualdade para que os times ficassem em pé de igualdade. E não ocorresse a famosa “garapa”. Eu me considero dentro desse contexto!
Amigo, te parabenizo pelas belas e relevantes matérias que continues a nos brindar com outras e outras mais.
Do amigo,
Vadinho

Anônimo disse...

Hoje eu só tenho a dizer...cultivar uma boa amizade e viver numa época tão maravilhosa, hoje através desta bela narrativa do amigo Jobão, podemos dizer...vivemos esses momentos lindos!!!

Jonas didi

Jonas didi disse...

Amigo Jobão, sua memória ao narrar me faz muitas vezes lembrar
comentários espirituosos feitos há anos por ser uma pessoa alegre e
de um auto-astral inegostável e isso pra mim faz com que o comentário
se torne mais afetuoso,. tornando-se assim uma atitude de gentileza para com os amigos,
quem não gosta de ser lembrado?
Volto aqui para postar mais um comentário, porque vejo aqui tanta coisa bonita e pra
mim uma das postagens mais completa em termos de lembranças do nosso tempo,
rever estes times de pelada, em cada um revejo bons amigos e a saudade bate forte
no coração daqueles jogos aos domingos.
Quando temos estado de espírito, nossa interação acontece naturalmente e de uma forma
gentil e saudosa a gente relembra através deste Museu Virtual do amigo Jobão tudo que
de bom aconteceu com quem teve o privilégio de viver esta época.

Valeu amigos meus e parabéns mais uma vez Jobão, que golaço!!!

Jonas didi

Carlos Meira disse...

show de fotos, parabéns pelo resgate. Bicho velho, teu blog é campeão, não sou jogador de futebol mas adorava asistir os jogos , e te afirmo as postagens que você posta, dão um banho de formosura e gostosura, he he.

Vera Mota disse...

Que delicia, ver essas recordações.. é de ficar emocionado ver nosso esporte atravessar as barreiras do tempo..
Vida longa ao Museu
Parabens Jobedis

Alaide Rocha disse...

Simpelsmente, toca a alma de qualquer campinense nato, ver essas fotos é literalmente voltar ao passado, é algo de extraordinário, esse é o lado puro de Campina Grande, simplicidade, humildade, parabéns ao planejador Jobedis dessas grandes emoções..sem palavras!!

Antonio Idalino Costa disse...

Parabéns pelo registro fotográfico, de antigos times de nossa querida Cidade. Vale ressaltar que não apenas fotos mais sim um registro de um povo e uma época. Infelizmente notei que na grande maioria das fotos não tem nomes de todos os que fazem parte deste registro. Assim seria uma aula de historia saber os nomes de todos os atletas.Aeriam bom os internautas que sabem se manifestar aqui

FLAVIO L VASCONCELOS disse...

implesmente Fantástico!!!!! Queria desejar Parabéns a Jobão pelo excelente trabalho que você continue assim preservando a nossa história. Parabéns!

RUY DE A. FEITOSA disse...

Parabens pelo seu trabalho de mostrar fotos antigas, amigos de futebol e revi uma foto de meu amigo UILA GAGUINHO e ele jogou?????…ahahahahah….

Anônimo disse...
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Anônimo disse...

Jobedis parabéns pois vc nos proporcionou essas fotos tão significativas, mesmo tendo 22 anos de idade me parece ter vivido naquela época, não nasci em Campina Grande mas são louca por essa cidade maravilhosa, meu avô ´´chico B“ sempre comentava sobre a futebol de pelada do passado de Campina Grande e suas principais personagens…

Anônimo disse...

MUITO LEGAL!

Anônimo disse...

OK!

Anônimo disse...

jobao muito bom o trabalho que voce está realizando.

Fernando

Unknown disse...

Faltou o atlético da prataPrataprataPra

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