quarta-feira, 23 de maio de 2012

QUEM FOI CRAQUE - HERALDO BORBOREMA

POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES

O que eu escutei falar de Heraldo foi através de meu irmão Nilson Feitoza e de João Mario era que ele foi um grande jogador de futebol e jogava de atacante, era firme, e às vezes quando precisava ele mostrava sua habilidade. Naquela época eles jogavam bola no final de semana, a maioria eram estudantes e esforçados assim foram seguindo até chegar aonde chegaram quase todos formados e bem de vida.

Apesar de que hoje o futebol possui uma melhor estrutura com campos gramados, bolas, chuteiras e tecnologia que auxilia o atleta a desempenhar o seu potencial, na sua época, jogar futebol era mais gostoso. Em seu tempo se jogava futebol nos campos de terra (Campo do Estadual, do Têxtil do Botafogo entre outros, em Campina Grande não tinha campos de futebol com grama (só os dos times profissionais Plínio Lemos, Paulistano e o PV do Treze).

O ex-craque fez muitas amizades durante a sua carreira no futebol amador de nossa cidade, sempre teve um grupo forte de companheiros, e as brincadeiras faziam parte de seu dia-a-dia (Conforme veremos adiante em seu depoimento ao museu).

Grandes Craques do Passado
Naquela época eu gostava de ver em campo o Estudante era um dos melhores times da cidade. “No ataque tive o prazer de ver o jogador “Sebastião Vieira”, igual a ele não apareceu outro na posição, era um grande jogador”. Pará recorda que na época do Eraldo, a equipe tradicional de Estudantes que fez história ao lado de outras grandes equipes citadas por ele no seu depoimento na década de 50/60, o futebol campinense se destacava com grandes jogadores, entre eles o zagueiro Humberto de Campos, além dos zagueiros: João Mario e Ersão, um baixinho valente o Pirrita e com uma impulsão que impressionava, além da firmeza e da forte marcação que exerciam sobre os atacantes dentro de campo.

Abaixo o email de João Mario e alguns depoimento do Heraldo



Jóbedis, em anexo o resumo do curriculum de Heraldo e suas cronicas e foto  no ESC !
Sugiro colocar oa foto dele sózinho, as cronicas e logo abaixo a foto da casa onde foram realizadas as primeiras sessões do Estudantes e abaixo a fot dele no ESC.
A casa ficava em frente a Prç.Alfredo Dantas, onde é hoje o Bco. Santader.
Tenho certeza que ele vai ter uma grande surpresa !
Mas fica ao seu critério quando ao layt out .
abçs
João Mario

Resumo do meu currículo.

Heraldo Borborema Henriques, campinense, peladeiro juramentado na adolescência e na juventude, amante de sua terra natal. Advogado pela Faculdade de Direito do Recife - Universidade Federal. Vida profissional: Advogado da Celpe, Presidente da Celpe, Presidente da Companhia de Abastecimento do Recife, Secretário da Fazenda de Pernambuco, Presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado, Secretário de Governo de Pernambuco, Secretário de Serviços Públicos do Município do Recife. Aposentado e curtindo os netos.
Abs.

ESTUDANTES FUTEBOL CLUBE

Quantos lembram? Afinal faz algum tempo; meados de 1950.
Na garagem da residência do médico Heleno Henriques, na Praça Alfredo Dantas, um grupo de estudantes adolescentes abriga um clube de futebol. Sem grandes ambições. Todos apaixonados pelo futebol e com fortes qualidades para o seu exercício.
Nos sábados à noite, as reuniões que antecediam os embates da manhã seguinte. Por transporte público de passageiro, o grupo se deslocava para as arenas do combate, os chamados campos de pelada. Bordel, às margens do Açude Velho, Bodocongó, Curtume dos Motas, Zé Pinheiro, Colégio Estadual da Prata, campo sede do Estudantes.
O amor ao esporte e a qualidade técnica de seus integrantes fizeram do Estudantes uma agremiação temida dos adversários, quase imbatível em seus domínios, embora a cidade contasse com outros fortes clubes (Guarany, Flamengo de José Pinheiro, Olaria, Humaitá, São José,...).
O clube deitou fama no futebol amador da cidade.
No entanto, o sonho da juventude  era o curso universitário. O futebol não exercia o fascínio financeiro dos dias atuais. Boa parte do grupo muda-se para o Recife, para a luta do vestibular. Um novo grupo substitui os titulares originais.
Aí começa uma outra história.

Heraldo Borborema 

     SESSÕES DOS SÁBADOS À NOITE

Nem de cinema, nem literária, nem de estudos, mas reunião de adolescentes para organizar e traçar as estratégias da partida de futebol do dia seguinte.
Meados dos anos cinqüenta. Garagem da residência do Dr. Helleno Henriques, pediatra de Campina Grande. Pequena mesa de madeira e dois toscos bancos de tábua de construção formavam o cenário. Horário em torno das 19.30h. Começa a ansiedade  pela presença dos atletas; a ausência à reunião era prenúncio do não comparecimento ao jogo da manhã do domingo. Certos desfalques eram sentidos na formação ideal da equipe.
A ansiedade se transformava em sorrisos, à medida da chegada de Bananeira, meio irresponsável mas grande goleiro, Eraldo Targino,
Hélio Gomes, zagueiro imbatível no jogo aéreo, Sebastião Vieira, Salomão, craque meio-campista que se profissionalizou, chegando a defender grandes equipes brasileiras, Santos, por exemplo, Valfredo Cirne, Raimundo Cirne, detentor de verdadeiro canhão na perna esquerda, João Mário, carregado de firulas e piadas, Roberto  Meio-quilo, Nanza, meio cego mas emérito goleador, Êvio, Garrincha, Cao,  pipoqueiro mas de enorme habilidade na área adversária, entre tantos outros.
Tudo começara como simples brincadeira. Tempo em que a adolescência divertia-se sadiamente ao ar livre. Bola de gude, pião, pipa, patinete de rolimã, bicicleta e, principalmente, futebol. Época em que a televisão, o vídeo-game ou o computador não existiam para segregar e isolar o jovem.
As peladas de meio de rua e dos campos improvisados dos arrabaldes da cidade foram aglutinando os jogadores, a maioria já conhecida dos bancos escolares. Na faixa dos quinze, dezesseis anos. O simples ajuntamento de pessoas começa a se organizar, diante dos excelentes resultados obtidos nas disputas com outros grupos de peladeiros.
Heraldo e Ednaldo juntam-se a Zenon e trazem a modesta sede do clube recém -criado para a garagem da casa da antiga Rua Barão do Abyhay (local hoje ocupado pela agência do Banco Santander Conforme foto abaixo):

Curioso é que o atleta pagava uma pequena contribuição para participar da equipe. Não havia patrocinador, nem renda. O padrão da vestimenta , alvirrubra - camisas, meiões e calções - era adquirido e mantido com a pequena participação financeira dos atletas. Chuteira cada um comprava a sua.
A sessão do sábado definia a formação do time, discutia a forma de jogar da equipe adversária e arrecadava a contribuição financeira do atleta; normalmente apenas para pagar a lavadeira que se encarregava da limpeza do material. Nas segundas-feiras o varal do quintal da casa do Dr. Helleno estava colorido de peças alvirrubras.
O que começou como brincadeira de adolescentes transformou-se em respeitável equipe amadora de futebol de Campina Grande. Na fase áurea, a sede ocupava um primeiro pavimento em prédio da principal rua comercial da cidade, a Maciel Pinheiro. Agora não era apenas o futebol; outras modalidades esportivas e sociais compunham as atividades do Estudantes (voleibol, basquete, masculinos  e femininos, futebol de salão), afora os famosos encontros dançantes (matinês e carnavais com orquestras ao vivo).
Por deferência da direção do Colégio Estadual, na Prata, o campo de futebol do educandário passou a ser exclusivo do Estudantes nas manhãs de domingo. A maioria dos atletas estudava no colégio.  Isto deu uma nova dimensão ao clube, um novo patamar frente às demais equipes amadoras desprovidas de tal estrutura.
A separação do grupo, por força de deslocamentos para outras cidades, na busca da continuação dos estudos, o passar dos anos dos atletas e a assunção de novas tarefas nas profissões escolhidas tiveram influência marcante para o desaparecimento do clube.
No entanto, os campinenses daquela época  e que apreciavam futebol hão de lembrar a história e a trajetória do saudoso Estudantes, que marcou época no futebol amador de Campina Grande e que forjou sólida amizade entre os seus componentes, a despeito do passar inexorável do tempo.

TARDES NA MACIEL PINHEIRO

Nunca houve necessidade de agenda. O costume incorporou-se ao cotidiano. O encontro era sagrado.
Meado de tarde, tarefa escolar feita, banho tomado. Um a um o grupo de jovens ia se formando, em frente à casa comercial do sr. Nô, na Maciel Pinheiro. Nessa rua estavam localizadas as lojas chiques da cidade, época em que não existiam os “shopping-centers”. Final dos anos cinqüenta. Para essa via acorria a sociedade campinense para suas compras. Lojas de tecidos, de sapatos, de eletrodomésticos, de artigos femininos, joalharias, sorveterias atraiam os habitantes da cidade. Local ideal para se apreciar o burburinho do dia a dia.
Hélio e Hércules (conhecido como Kau), filhos do dono da loja, aguardavam os costumeiros visitantes. Luizinho Ventão, Garrincha, Marco Vinicius, Sebastião Vieira, Eraldo Targino, Nanza, João Mário, Alberto Catão ( Cabeção), Saulo, Marco Dantas, Mariano, Heraldo, Ednaldo formavam no time dos freqüentadores assíduos.
Sem cerimônia o grupo tomava conta da loja de eletrodomésticos de Nô. Afinal os donos da loja participavam da invasão. Daquele momento em diante a radiola somente tocava os long-playings das músicas da preferência dos jovens irreverentes, não da clientela. Em som muito alto, para se ouvir da calçada, desfilavam as vozes de Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso, Ângela Maria, intérpretes das canções das farras e serenatas; Nat King Cole, Frank Sinatra, Bing Crosby, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, cantores dos encontros românticos; Bill Halley e Elvis Presley, chamados para os embalos do Rock and Roll; Bievenido Granda, Gregorio Barrios, Carlos Alberto, Agustín Lara, presentes nos encontros dançantes movidos a bolero.
No enlevo da música e na visão das jovens que desfilavam na calçada, a tarde se fazia bela. Conversa jogada fora. Encontros rápidos com namoradinhas. Comentários sobre fatos do dia a dia de cada um: estudos, preferências musicais, namoros, política, futebol - elemento aglutinador do grupo, pois integrantes do famoso Estudantes, time amador respeitado na cidade. Tudo era festa. A vida gostosa de ser vivida. Nada de violência. Nada de drogas. Apenas comedida bebedeira nas visitas de final de semana nos cabarés de Moreninha e de Baiana.
Nunca se ouviu uma reclamação de Nô. Paciência de Jó. Era como se ele também participasse, de maneira discreta, da algazarra dos jovens.
Final de tarde. Retorno às casas para vestir a farda do saudoso Colégio Estadual e reencontrar-se nas aulas noturnas do curso científico (hoje ensino médio).
O tempo levou aquelas tardes e até a vida de alguns daqueles jovens, mas não a  lembrança eterna e a amizade dos que restam daqueles encontros vespertinos da Maciel Pinheiro.






2 comentários:

Ida ( INSTITUTO HISTÓRICO DE CAMPINA GRANDE IH disse...

Bom dia Jobedis

Simplesmente adorei a "ficha técnica" de Heraldo, vizinho da Rua Barão do Abiaí, das visitas
que fazia ao Palacete do Dr. Heleno Henriques - nosso médico de família - e minhas entradas
à casa a convite de Dona Creuza.....no interior da dela, para mim, era entrar num castelo
dos contos de fadas. Hoje a saudade está doendo mas com a alegria de reviver as histórias,
embora delas em nada participei, mas meu olhar infantil espiava.

Parabéns por esse resgate que você e João Mário vêm realizando; o Instituto Histórico de
Campina Grande, no tempo certo, faremos uma parceria para constar esse valioso trabalho
em nosso acervo.

Abraço e tudo de bom.

Ida

Gledes Emerenciano disse...

Jóbedis,
Doces lembranças o texto (muito bem escrito) de Heraldo Henriques me trouxe!
Lembro-me perfeitamente da casa de dr. Heleno Henriques. E nem havia me tocado que ali, hoje, é o Santander.
Lembro-me, com muita saudade, da loja de Nô Gomes, dos discos de 78 rotações...
Seu Museu faz esses milagres...
Coisas, lugares, fatos, pessoas que a gente pensava que havia esquecido, de repente surgem à nossa frente, claros, nítidos!
É bom demais!


Saúde e paz!
Glêdes

Postar um comentário