quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

DE VOLTA PARA O PASSADO - PRAÇA DO TRABALHO E NOSSA GALERA

POR: JOBEDIS MAGNO DE BRITO NEVES



Vocês devem ter notado que a Rua Felipe Camarão, a famosa "Rua do Grupo", é citada constantemente aqui no nosso Museu. Não se irritem com isso, por favor. É porque eu tenho um amor incondicional ao cenário da minha infância e adolescência, além da gratidão e carinho imensos por todas as pessoas que conviveram comigo naquela ruazinha surpreendente e inesquecível.

Relembrarei e falarei da Praça do Trabalho. Ali, naquele pequeno espaço mágico, éramos uma enorme família, com todas as alegrias e problemas sendo compartilhados por todos os amigos. Convivíamos em bando, dezenas de adolescentes e adultos atazanando e se greando da vida de algumas pessoas, com uma energia que parecia inesgotável. 


A amizade e a solidariedade eram uma característica marcante desse grupo de rapaziada. Eu tenho muito orgulho de ter pertencido a essa gente alegra, estudiosa e admirável. Essa era meu Edem e ”minha galera” do bairro do São José, Inesquecível!


                             GALERA EM FRENTE AO CINE SÃO JOSÉ

GALERA SE CONFRATERNIZANDO



Contemporâneos meus certamente se lembram  da peleja que era nossas saídas à procura de paqueras nos “assustados”, ou como se diz hoje, ficantes. Os anos 70 foram marcados por momentos emocionantes, cômicos, trágicos, vexatórios, e porque não, alguns de orgulho, quando então nos empenhávamos em verdadeiras caçadas, onde éramos (pelo menos tentávamos ser) os predadores e as meninas as presas. E como saiam tiros pela culatra!

Nosso esporte favorito era contar vantagens acerca de nossos pretensos dotes de Don Juan e fazer planos sobre conquistas e programas futuros. A gente ouvia paciente e generosamente as mentiras e as tramóias dos amigos sem contradizê-los, criando assim o clima para que a boa vontade fosse recíproca.  Mas essa regra valia somente para quem fizesse parte do grupo.


Quando por obra do destino um de nós ficava com uma menina bonita e disputada, no dia seguinte saía de nariz empinado e peito estufado para sentir a repercussão positiva, receber os elogios e os tapinhas nas costas. Mas se ao contrário alguém ficava sozinho, ou situação pior, com uma menina feia, era um verdadeiro tormento sair à rua, pois a gozação da turma era pesada.

Freqüentávamos bailes e bares  da região com pouca ou nenhuma grana no bolso, sem meio de transporte próprio, mas com muita disposição e amor pra dar. Fazendo  vaquinhas para o litro de Run com Coca cola, indo de carona, ônibus, táxi ou a pé, o fato é que éramos figurinhas carimbadas nas baladas de alguns bairros de Campina Grande especialmente no bairro da Liberdade. Dentre os vários parceiros de gandaia que tive. Não quero citar para não incorrer no risco de me esquecer de citar alguns.

O grande problema de nossas saídas era o transporte. Conseguir carona para ir era fácil, o complicado era voltar. O dono do carro, ou saía com alguém, ou vinha cedo aborrecido porque não arranjou ninguém, ou enchia a cara tornando perigoso o retorno. Várias vezes passamos a noite acordados, cochilamos em bancos de praças e até andavamos quilômetros à pé.

Hoje quase todos nós, respeitados senhores casados (até os chamados burro mulo casaram), pais de família, com cabelos grisalhos e/ou pintados a La Ze Preá, outros  calvos ou carecas, sempre que recordamos essa época de ouro de nossas vidas rimos a valer. E quando alguém fala nas filhas e netas que estão crescendo e já pensando em namorar a preocupação se estampa no rosto de cada um, a ruga na testa se acentua e ficam em silencio, talvez pensando:

--Será que vamos pagar nossos pecados?

Eu porém aproveito para dizer aos meus amigos que não se preocupem muito. Afinal não pecamos tanto assim, a não ser pela intenção e pelo pensamento. A gente era do bem.


No final do ano passado  tive o prazer de reencontrar alguns grandes amigos que residiram e participaram do deliciosos bate papos da saída do Cine São José do passado e hoje alguns, também seguidores desse nosso Museu, a quem dedico esta postagem. 

fotos dos amigos de hoje






                                       Jorio, Isaias Cará, Chininha, Sassá, Glauco, Biliu, Naldo

SABARA, JOBEDIS, GLAUCO E JORIO




           





9 comentários:

Anônimo disse...

Caramba! Que viagem ao passado!!!! Parabens por essas coisas que voce coloca e que nos fazem viajar até o tempo em que éramos felizes e sabíamos que éramos! Muito legal mesmo o seu Museu!

Pedro Aurélio (Pedrinho) disse...

Amigo Jobedis,

Parabéns pelo brilhante trabalho de resgate da história dos esporte campinense, notadamente a partir do anos 60. O Museu nos reporta há um tempo de ouro das nossas vidas. Como sou um saudosista inveterado, passei visitar o museu diariamente.

Um abraço e siga em frente com este maravilhso trabalho de resgate dos anos dourados daqueles que viveram em Campina o vigor de suas juventude.

Pedro Aurélio (Pedrinho)

Osvaldo Pereira Valdinho disse...

Osvaldo Pereira Vadinho Ótimo documentário...o valor se torna imensuravel.

inaldo felix disse...

ate que emfim CARA izaias irmão de Naldo apareceu em campina pois ele mora em São Luis Maranhão,galera dos velhos tempos kakakakaka

Anônimo disse...

Este nobre amigo JÓBEDIS sempre tem tirado leite de pedra! O cara resgata histórias passadas até então esquecidas em nossas memórias, com um português extremamente caprichado e que, quando postadas suas mensagens, nos faz voltar àquela época de adolescentes quando éramos felizes e não sabíamos. VELHO AMIGO JÓBEDIS, sou um grande admirador seu. Já fazes parte e estás há muito tempo nos ANAIS da história de Campina Grande. Abraços meu grande amigo!!!!
Everaldo (Brasília-DF).

Anônimo disse...

Amigo Jobão... vc sempre nos dando alegria e oportunidade de rever tantas pessoas boas, cada um tem um passado, viajo no tempo e lembro cada momento em que passamos juntos, gréias, solidariedade etc..digo etc porque me falta adjetivos para expressar tantos momentos maravilhosos junto a esta galera, olha; que legal e gratificante conservar os velhos amigos, melhor ainda vê-los firmes e fortes, saudades...que sinceramente nem sei medir, não devo só agradecer a Deus, e sim a todos vcs por serem meus amigos, JONAS DIDI

Adalton Barros disse...

Valeu Jobão, embora morando no bairro da Liberdade, sempre curti o São José, ou seja, rua Felipe Camarão e a praça do Trabalho, aonde fiz grandes amigos, os quais muitos bens sucedidos profissionalmente, os quais muito me orgulho de te-los conhecidos. Olhando essas fotos, voltei ao passado, parabéns.

Lambreta disse...

Fotos simplesmente antològicas.Que bom seria se outros colegas mandassem fotos,comentarios, fatos pitorescos, sobre lugares que não saem de nossas lembranças, como; Quadra do Campinense, na praça Cel. Antonio Pessoa, Coqueiros de Zè Rodrigues,Estadual da Prata, bacião.(vou deixar o resto para vcs). Vejam esse time de futebol de salão sò com moradores da rua Desmbargador Trindade; Expedito, Hugo, Toinho, Alexandre e Gil(sim, ali onde Gil morava era a continuação da Desembargador Trindade)

carlinhos disse...

Valiosa contribuição a que acaba de prestar a família do bairro do São José, o amigo Jobédis, tão desprovida desses estudos, Jobédis, com esta publicação lhe pareceu mais trabalhosa do que sua própria feitura. Sinto também saudades do meu tempo de infancia estudando na Rua Felipe Camarão, na escola da professorinha Nevinha Sobral.

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